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UM AFAGO DO AMIGO E PARCEIRO PABLO DE CARVALHO.

Dono de um raro refinamento musical, compositor de harmonias sofisticadíssimas, Chico Elpídio faz parte da profunda tradição chorona, sambista e bossanovista de Alagoas.

Maceió, com seus bairros históricos à beira de mar e lagoa e seus subúrbios em cidade-alta, é verdadeiramente um ambiente perfeito para as rodas de samba de virtuosos, para a quietude sofisticada da bossa nova e para tudo quanto, em música, aglutine os sentimentos dos povos formadores do Brasil; uma cidade de navegantes, miscigenada, romântica e desigual.

Apaixonado por essa cidade, sua terra natal, Chico Elpídio desenvolve um forte sentimento por seu chão, por céu e por seu mar, e vai cantá-los à sua maneira: lapidando melodias cuidadosamente, burilando acordes, encontrando caminhos musicais cuja beleza não é apenas pura manifestação de talento, mas uma expressão de cuidado, homenagem e reverência por Maceió e Alagoas. 

Com o Grupo Terra, formado em 1975, um time de primeira (Chico Elpídio, Zé Barros, Zailton Sarmento, Messias Gancho, Pacuã, Cláudio Carlos, Beto Batera, Eliezer Setton, Edson Bezerra e outros tantos) linha feito exclusivamente para cantar autores caetés, o compositor/violonista firma seu desejo inafastável de cantar as Alagoas de seu afeto. Gravam o LP TERRA, têm músicas tocadas nas novelas Meu Pé de Laranja Lima e Rosa Baiana, da TV Bandeirantes e marcam uma importante fase da consolidação da identidade cultural alagoana.

Partindo para carreira solo, grava os CDs Duas Caras (com Almir Medeiros), Dilúvio e, o mais recente: Contemporâneos, discos autorais cujas composições foram gravadas e regravas por vários do melhores intérpretes alagoanos, como Wilma Miranda, Wilma Araújo, Ana Costa, Leureny Barros, Nara Cordeiro, Michelly Barsand, Dulce Miranda, Lara Melo, Almir Lopes, Eliezer Setton e Dydha Lyra.
Mas um episódio trágico, absolutamente importante e de menção obrigatória, cai na vida de Chico, depois da realização de Dilúvio e antes da de Contemporâneos. Em um acidente doméstico, o compositor perde o dedo anular da mão esquerda. O violonista de ouvido apuradíssimo, o pesquisador de acordes, o artista de grandes harmonias se vê afastado do violão, instrumento da vida toda, que ele conhece como poucos. 
Triste, mutilado no corpo e no coração, o compositor se retira da vida cultural e das rodas boêmias por um tempo. Mas é apenas por um tempo! Tocando com um dedo a menos, o artista se recria, se supera e, ao invés de trazer ao público uma arte musical diminuída pelo limite físico, ele volta com toda a carga, explorando novos caminhos musicais, renascido da treva, mais criativo que nunca, tocando lindamente seu pinho da vida toda.
Nas rádios, nas novelas, nos bares, nos teatros e há décadas o compositor Chico Elpídio é uma das figuras centrais na linha da música popular criada em Alagoas. Por sua sofisticação, por sua inesgotável criatividade (que superou até mesmo os limites da amputação), por seu desejo de tradução musical da terra em que nasceu, Chico Elpídio se insere entre os grandes da música na terra dos caetés e alhures.
    

Dono de um raro refinamento musical, compositor de harmonias sofisticadíssimas, Chico Elpídio faz parte da profunda tradição chorona, sambista e bossanovista de Alagoas.

Maceió, com seus bairros históricos à beira de mar e lagoa e seus subúrbios em cidade-alta, é verdadeiramente um ambiente perfeito para as rodas de samba de virtuosos, para a quietude sofisticada da bossa nova e para tudo quanto, em música, aglutine os sentimentos dos povos formadores do Brasil; uma cidade de navegantes, miscigenada, romântica e desigual.

Apaixonado por essa cidade, sua terra natal, Chico Elpídio desenvolve um forte sentimento por seu chão, por céu e por seu mar, e vai cantá-los à sua maneira: lapidando melodias cuidadosamente, burilando acordes, encontrando caminhos musicais cuja beleza não é apenas pura manifestação de talento, mas uma expressão de cuidado, homenagem e reverência por Maceió e Alagoas. 

Com o Grupo Terra, formado em 1975, um time de primeira (Chico Elpídio, Zé Barros, Zailton Sarmento, Messias Gancho, Pacuã, Cláudio Carlos, Beto Batera, Eliezer Setton, Edson Bezerra e outros tantos) linha feito exclusivamente para cantar autores caetés, o compositor/violonista firma seu desejo inafastável de cantar as Alagoas de seu afeto. Gravam o LP TERRA, têm músicas tocadas nas novelas Meu Pé de Laranja Lima e Rosa Baiana, da TV Bandeirantes e marcam uma importante fase da consolidação da identidade cultural alagoana.

Partindo para carreira solo, grava os CDs Duas Caras (com Almir Medeiros), Dilúvio e, o mais recente: Contemporâneos, discos autorais cujas composições foram gravadas e regravas por vários do melhores intérpretes alagoanos, como Wilma Miranda, Wilma Araújo, Ana Costa, Leureny Barros, Nara Cordeiro, Michelly Barsand, Dulce Miranda, Lara Melo, Almir Lopes, Eliezer Setton e Dydha Lyra.

Mas um episódio trágico, absolutamente importante e de menção obrigatória, cai na vida de Chico, depois da realização de Dilúvio e antes da de Contemporâneos. Em um acidente doméstico, o compositor perde o dedo anular da mão esquerda. O violonista de ouvido apuradíssimo, o pesquisador de acordes, o artista de grandes harmonias se vê afastado do violão, instrumento da vida toda, que ele conhece como poucos.
 
Triste, mutilado no corpo e no coração, o compositor se retira da vida cultural e das rodas boêmias por um tempo. Mas é apenas por um tempo! Tocando com um dedo a menos, o artista se recria, se supera e, ao invés de trazer ao público uma arte musical diminuída pelo limite físico, ele volta com toda a carga, explorando novos caminhos musicais, renascido da treva, mais criativo que nunca, tocando lindamente seu pinho da vida toda.

Nas rádios, nas novelas, nos bares, nos teatros e há décadas o compositor Chico Elpídio é uma das figuras centrais na linha da música popular criada em Alagoas. Por sua sofisticação, por sua inesgotável criatividade (que superou até mesmo os limites da amputação), por seu desejo de tradução musical da terra em que nasceu, Chico Elpídio se insere entre os grandes da música na terra dos caetés e alhures.

Texto de Pablo de Carvalho.











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