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Quando o pai torna-se desnecessário

O bom pai é aquele que vai se tornando desnecessário com o passar do tempo. Meus filhos, o que está escrito acima parece estranho, mas não é. Agora que vocês estão na era dos vinte anos, começaram a dar vôos-solo, estão chegando a hora de iniciar um processo de reprimir de vez o impulso natural paterno de querer colocar a cria debaixo das asas e proteger de todos os erros, tristezas e perigos. Quando começo a esmorecer na luta para controlar vocês, penso: - será que fiz ou estou fazendo o trabalho direito? Se fiz, e acho que sim, tenho que me tornar desnecessário. Antes que pensem diferente, devo explicar o que significa isso, ser desnecessário é não deixar que o amor incondicional de PAI, que sempre existirá, provoque vício ou dependência em vocês como uma droga, a ponto de não conseguirem ser autônomos, confiantes, independentes e prontos para traçar o seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada nova fase, uma nova pe...

Reencontrando inesquecíveis amigos

Fernando Dantas, Anacletum Botinha e Francisco  Vasco. Foi com muita alegria que recebi no dia 08 deste mês, um email do Fernando Dantas - Naninha, velho amigo e de muita importância na minha juventude. Com êle participei de momentos inesquecíveis ao lado de Geraldo Érico, José Maria e Fausto. A foto ao lado demonstra a família Cambonense reunida em desses inúmeros sábados. Repasso aos amigos leitores o texto de Fernando, que traduz em relação a todos os Cambonenses, um enorme sentimento. Caro Chico Existem determinados momentos em nossa vida em que somente a intuição divina, como num lance de alerta, é capaz de nos mostrar ainda à tempo, fatos isolados, os quais ao serem avaliados em sua freqüência e agrupados, nos impelem para uma autocrítica de nossa atuação em relação a um das mais sublimes legados do gênero humano que é a AMIZADE. De domingo até hoje, em situações de características totalmente diferentes, tive oportunidade de rever e conversar com pessoas as quais ...

A musa do tarado

Lúcia, nos seus incompletos dezesseis anos, possuía uma engenhosa beleza que acabara de desabrochar, saudável e viçosa como uma flor matinal. Cabelos escuros e em queda livre feito as cascatas; os olhos de jabuticaba e a pele morena lembrando as rolinhas caldo de feijão. Busto farto e os lábios carnudos que mostravam, ao menor sorriso, uma fileira de dentes alvos como coco. Esbelta igual às garças e dona de um aformoseado corpo de dançarina, Lúcia exibia leveza no andar e harmonia nos movimentos; suas salientes nádegas rebolavam como uma inquietante maré, despertando atenção à primeira vista. Cabocla oriunda do sertão, de onde veio para a capital ainda criança concluir os estudos, logo os galanteadores do bairro lhe batizaram como " Miss Lúcia". Desconhecendo o apelido que lhe era atribuído, sequer desconfiava das taras verbais que lhe dedicavam os rapazes, em descontraídas rodinhas de bate - papos na praça. Nessas ocasiões a beldade era predileção nos apimentados c...

MR. BEAN É VASCAÍNO

“Final do Campeonato Brasileiro de 1997, um domingo qualquer do mês de dezembro. Eu, tenso, a assistir Vasco X Palmeiras pela TV. Um empate bastava ao Vasco para o seu terceiro título. Socorro, minha mulher, sampaulina roxa, alheia ao meu drama (com certeza se roendo de inveja) estava na cozinha. Paulinho, meu penúltimo filho (na escala etária), ainda não se entusiasmava com futebol, embora já desse seus primeiros chutes, do “alto” de seus dois aninhos de idade. No quarto, dormia minha caçula Natália, com seus dois meses de vida incompletos. E eu ali, tenso, jogo 0x0. O Animal era nosso (todos sabem de quem se trata: Edmundo). Havia “comido” a bola durante o campeonato, tendo batido o recorde, até então, de 29 gols, artilheiro disparado. Mas, nem assim o Vasco marcava ... nem o Palmeiras. Final do jogo, 0x0, Vasco Campeão Brasileiro!!! Resolvi extravasar a tensão, soltando alguns rojões (aqueles foguetes de três tiros) no quintal, esquecendo que minha caçula dormia no quarto próximo ...

TALENTO ALAGOANO

BELEZA DELICADEZA - Wilma Araújo marwilma@uol.com.br No excelente CD de Wilma, além da arte gráfica, dos arranjos, dos músicos do mais alto nivel dirigidos pelo maestro Almir Medeiros, há mais um ponto a ser destacado: o repertório. A proposta de Wilma em abrir espaço para compositores alagoanos é relevante e de fundamental importância, pois, além de serem valorizados e reconhecidos, êles têm a satisfação de ouvirem as suas composições por uma das mais afinadas vozes de nosso quadro musical. Basta observar que, das treze músicas que compõem o CD, nove são alagoanas! parabéns Wilma!  DAMA DA NOITE - Leureny barbosa Sob os cuidados do talentoso Felix Baygon capitaneando uma equipe de músicos alagoanos de primeira linha, o CD Dama da Noite torna-se indispensável para aqueles que valorizam a boa música. A diva "Leu", dá um toque pessoal em duas páginas bastante conhecidas - Favela e Tango de Nancy, dando-lhes uma interpretação definitiva. Duas outras observações necessárias: a i...

O elefantinho

Aos domingos, no final da tarde, os sinos da igreja repicavam convocando os fiéis para a missa, celebrada no sotaque germânico de frei Caetano. Arranchados à porta do templo, de cuias na mão, um punhado de mendigos à espera de misericórdia, e às famílias que aos poucos iam chegando, pediam esmolas em nome de Deus.  Terminado o culto, a meninada descia para a praça e, à vontade, numa euforia incansável, brincava de pega-pega contornando o “Cuscuz do Major”. A fonte luminosa, ao som de música clássica, jorrava água numa coreografia sincronizada, lembrando um balé. Os pombos pontilhavam o chão do logradouro em busca do alimento, e em cíclicas revoadas retornavam para o alto da igreja, lá onde moram os sinos.  No centro da praça, impávida, a estátua do homem que fez história, e que devido aos seus feitos, ficou conhecido como “O Marechal de Ferro”. Comendo pipocas ao lado do garoto Decinho, Seu Elpídio, com habitual paciência, explicava ao filho atento a importância do herói rever...

Cambona, o bairro.

Situado entre a Praça dos Martírios e o bairro de Bom Parto, o Cambona era passagem obrigatória para quem desejasse se dirigir ao bairro de Bebedouro, que na década de 50 possuía o status -“bairro de elite”, visto que alí residiam às mais tradicionais famílias alagoanas. A Praça dos Martírios, principal área de lazer dos cambonenses, foi à época um dos recantos mais frequentados nos festejos momescos; além de servir para o Corso, que era que o desfile de carros de passeio, lotados de moças e rapazes, interagindo com o povo, na guerra de talco, serpentina e lança d'água, recebia os blocos carnavalescos mais famosos da época, tais como: Cavaleiro Negro, Mascara Preta e o inesquecível Bloco do Major Bonifácio da Silveira - As Caboclinhas, que fazia a rota Bebedouro - Praça dos Martírios. Bebedouro, hoje é visto como um bairro dormitório por não existir um comércio sustentável, entretanto, ainda se mantém vivo, graças à existência da Igreja do Bom Comselho, do Mercado Público Municipa...