terça-feira, 15 de agosto de 2017

UM AFAGO DO AMIGO E PARCEIRO PABLO DE CARVALHO.

Pablo de Carvalho
Dono de um raro refinamento musical, compositor de harmonias sofisticadíssimas, Chico Elpídio faz parte da profunda tradição chorona, sambista e bossanovista de Alagoas.

Maceió, com seus bairros históricos à beira de mar e lagoa e seus subúrbios em cidade-alta, é verdadeiramente um ambiente perfeito para as rodas de samba de virtuosos, para a quietude sofisticada da bossa nova e para tudo quanto, em música, aglutine os sentimentos dos povos formadores do Brasil; uma cidade de navegantes, miscigenada, romântica e desigual.

Apaixonado por essa cidade, sua terra natal, Chico Elpídio desenvolve um forte sentimento por seu chão, por céu e por seu mar, e vai cantá-los à sua maneira: lapidando melodias cuidadosamente, burilando acordes, encontrando caminhos musicais cuja beleza não é apenas pura manifestação de talento, mas uma expressão de cuidado, homenagem e reverência por Maceió e Alagoas. 

Com o Grupo Terra, formado em 1975, um time de primeira (Chico Elpídio, Zé Barros, Zailton Sarmento, Messias Gancho, Pacuã, Cláudio Carlos, Beto Batera, Eliezer Setton, Edson Bezerra e outros tantos) linha feito exclusivamente para cantar autores caetés, o compositor/violonista firma seu desejo inafastável de cantar as Alagoas de seu afeto. Gravam o LP TERRA, têm músicas tocadas nas novelas Meu Pé de Laranja Lima e Rosa Baiana, da TV Bandeirantes e marcam uma importante fase da consolidação da identidade cultural alagoana.

Partindo para carreira solo, grava os CDs Duas Caras (com Almir Medeiros), Dilúvio e, o mais recente: Contemporâneos, discos autorais cujas composições foram gravadas e regravas por vários do melhores intérpretes alagoanos, como Wilma Miranda, Wilma Araújo, Ana Costa, Leureny Barros, Nara Cordeiro, Michelly Barsand, Dulce Miranda, Lara Melo, Almir Lopes, Eliezer Setton e Dydha Lyra.
Mas um episódio trágico, absolutamente importante e de menção obrigatória, cai na vida de Chico, depois da realização de Dilúvio e antes da de Contemporâneos. Em um acidente doméstico, o compositor perde o dedo anular da mão esquerda. O violonista de ouvido apuradíssimo, o pesquisador de acordes, o artista de grandes harmonias se vê afastado do violão, instrumento da vida toda, que ele conhece como poucos.
 
Triste, mutilado no corpo e no coração, o compositor se retira da vida cultural e das rodas boêmias por um tempo. Mas é apenas por um tempo! Tocando com um dedo a menos, o artista se recria, se supera e, ao invés de trazer ao público uma arte musical diminuída pelo limite físico, ele volta com toda a carga, explorando novos caminhos musicais, renascido da treva, mais criativo que nunca, tocando lindamente seu pinho da vida toda.

Nas rádios, nas novelas, nos bares, nos teatros e há décadas o compositor Chico Elpídio é uma das figuras centrais na linha da música popular criada em Alagoas. Por sua sofisticação, por sua inesgotável criatividade (que superou até mesmo os limites da amputação), por seu desejo de tradução musical da terra em que nasceu, Chico Elpídio se insere entre os grandes da música na terra dos caetés e alhures. Texto de Pablo de Carvalho.


LARA MELO marca sua volta aos palcos com o espetáculo MAR DE HARMONIAS


Lara Melo

Lara Melo
cantora Lara Melo estará de volta aos palcos no dia 25 de maio, a partir das 19h30, no Espaço Cultural Arte Pajuçara, em Maceió. A volta aos palcos é marcada pelo espetáculo Mar de Harmonias: a música de Chico Elpídio.
O show é um grande tributo ao talento incomum do compositor Chico Elpídio. No palco, Lara projeta, em interpretações singulares, a música desse artista e parceiros como Pablo de Carvalho, Eliezer Setton, Geraldo Rebêlo e Edson Bezerra. Kel Monalisa, Mari da Costa, Mel Nascimento, Giba Simplício, Andrea Laís e o próprio Chico Elpídio, fazem participações especiais que imprimem o DNA de cada intérprete e agregam valores à trilha de Lara Melo e do compositor reverenciado.
Com entrada gratuita, o show é uma parceria com a Secretaria do Estado de Cultura (Secult) e está entre os projetos selecionados pelo edital Prêmio Diogo Silvestre/2016, na categoria Música. Os convites serão liberados nos dias das apresentações a partir das 16 horas.
Prêmio Diogo Silvestre
O projeto, que tem o objetivo de estimular, difundir e promover os bens que enaltecem a identidade local, seleciona propostas de espetáculos musicais de profissionais com moradia há pelo menos um ano no Estado e comprovada atuação na área cultural.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

GAFIEIRA CAPRICHOSA - A MÚSICA


Um pouco da história da criação do samba GAFIEIRA CAPRICHOSA, composto em parceria com PABLO DE CARVALHO especialmente para a banda GAFIEIRA CAPRICHOSA.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

LARA MELO - MAR DE HARMONIAS, A MÚSICA DE CHICO ELPÍDIO

lara-melo
O show, contemplado pelo Prêmio Diogo Silvestre, acontecerá nesta quinta-feira (18). A Música é uma sequência de ondas sonoras com um certo sentido rítmico, melódico. Seria ela um “Mar de Harmonias”, onde tudo está balanceado, sem riscos de naufrágios ou rimas descabidas.
Este, aliás, é o nome do show que a cantora alagoana Lara Melo está trazendo para Arapiraca nesta quinta-feira (18), a partir das 19h30, dentro do projeto contemplado pelo Prêmio Diogo Silvestre, contando com o apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Arapiraca.

Com entrada franca, a apresentação acontecerá no Teatro Cenecista Thereza Auto Teófilo, no bairro do Centro, tendo a abertura feita pelo estudante de Música da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Wyron Roberth.

Neste novo formato, ela homenageia a poesia e a música do cantor alagoano Chico Elpídio, ainda pouco conhecido do grande público, mas de uma pureza gigantesca em suas composições sambistas.
Em novembro do ano passado, a intérprete ganhou o 3º lugar no Festival Em Cantos de Alagoas,realizado em Maceió.

Voz de maçã

Desde os 15 anos, o canto surgiu para Lara Melo como quem nasce para o seu par. Ela entrou para o coral da Escola Técnica Federal de Alagoas (Etfal, hoje Instituto Federal de Alagoas – Ifal), acompanhada e influenciada pela própria mãe. E foi aquele turbilhão todo de emoções.
De lá para cá – atualmente a cantora tem 32 anos de idade –, a paixão vem só aumentando. Hoje ela é integrante da banda de samba Cai Dentro, que é frequente atração dos barzinhos de Maceió aos finais de semana.
Mas este agora é um projeto solo. “A Música me faz flutuar nesse mar de incertezas que é a vida. Dá uma leveza maior em tudo. E poder homenagear o grande amigo Chico Elpídio é de uma honra sem tamanho e, ainda, pela primeira vez em Arapiraca com este projeto agraciado em edital pela Secretaria de Estado da Cultura. Estou muito feliz”, diz Lara, enfatizando ter lançado um DVD recentemente intitulado “Vertente”, com canções de dois Chicos: Elpídio e Buarque.
Para cá, ela traz isoladamente o cancioneiro de Elpídio, que figurava como um dos ponta de lança do Grupo Terra, aqui em Alagoas. Ele próprio aprovou as versões de Lara e já a apelidou de “voz de maçã”.

terça-feira, 25 de julho de 2017


EDSON BEZERRA – AUTORAL

Revendo os meus discos em busca de novidades encontro entre eles um CD com a gravação na integra de um show realizado pelo professor Edson Bezerra no Teatro Deodoro, em 1994. Um trabalho autoral de rara beleza, ilustrado com o requinte musical de três excelentes músicos: Ricardo Lopes, arranjador e Guitarra, Miran Abs – Violoncelo e Jiuliano Gomes no Teclado. Para os amantes da música autoral alagoana, uma rara oportunidade para ouvir e conhecer um pouco mais desse artista, que transborda de emoção quando canta e interpreta suas canções. 

OS OLHOS DO CORPO

Meus olhos viram coisas que só eu sei
Viram cores viram amores emoções
Meu corpo pedem toques que nem (só) eu sei
Pedem vícios precipícios emoções...


Meus olhos viram deuses que só eu sei
Sem palavras teus olhares dois clarões
Meu corpo sentem toques que só eu sei
São teus pelos teus desvelos emoções...

NOVIDADES CONHECIDAS - LARA MELO