terça-feira, 26 de outubro de 2010

Paulo Renault - parceiro e amigo

Paulo Renault Braga Villas Boas, boêmio, poeta e compositor, nasceu em Maceió, no dia 29 de outubro de 1958. Ainda jovem, casou-se com Márcia Maria Lima, com quem teve dois filhos: Rodrigo e Sérgio Lima Villas Boas. Além de apaixonado por música, foi militante político, influência herdada do avô, Júlio de Almeida Braga, um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro - PVB, em Alagoas. 
Conheci Paulo em minha residência, lá compareceu querendo discutir algumas idéias sobre a cultura musical alagoana, que se encontrava à época estagnada, não existindo referência alguma, ainda vivíamos das lembranças de Reinaldo Costa, autor de Rescordação e do não menos famoso Juvenal Lopes, autor de pérolas como: Maceió, Pisei no Liro e Entre a Cidade e o Sertão, parceria com Marcondes Costa, gravadas por Noite Ilustrada, Marinês e Grupo Terra, respectivamente. 
A conversa foi tão promissora, que nos dirigimos ao Bar do Jaqueira, antigo reduto de boêmios, poetas e músicos, situado ao lado do Mercado Público, e como de costume, nos sentamos e pedimos uma *meiota (metade de uma garrafa de cachaça), limão, laranja e continuamos a digerir a idéia: "reunir os compositores jovens com o propósito de interagir, entretanto, não conseguimos levar adiante nosso propósito". Coincidentemente, nesse período, estavam abertas as inscrições para o II Festival Universitário, promovido pelo DCE/UFAL, oportunidade impar, para nós jovens compositores, aprendermos com os já consagrados veteranos vencedores de festivais: César Rodrigues, Marcondes Costa e Guido Uchôa, o caminho e principalmente os atalhos para galgar situações idênticas. 
Motivado pela efervescência do Festival, tive a feliz idéia de convidar os músicos que tocavam comigo na noite, e outros que conheci: Jorge Quintela, flautista, Cláudio Carlos, baterista e finalmente, Zailton Sarmento, poli instrumentista, tocava: viola, cavaquinho e teclado, para participarem de um novo grupo musical, com propostas próprias e inéditas. Após o convites, apresentei a idéia, logo aprovada por todos, faltando só o nome da banda, posteriormente batizada de Grupo Terra, na qual Paulo Renault teve participação ativa ao meu lado, escrevendo letras com temáticas políticas e nordestinas, questionando sempre a condição social do ser humano, seus desejos e suas fraquezas. 
Durante a existência do Terra, montamos vários shows: Terra à Vista, Gente das Brenhas, Cidade Antiga e por último, Maceió, Cidade Aberta, espetáculo apresentado repetidas vezes no Arena e no Deodoro, montado com vinte e cinco poemas de Paulo, com músicas minhas, em parceria com Geraldo Rebêlo, com exceção de Maceió de autoria de Juvenal Lopes. 
A beleza poética dos poemas de Renault do show Maceió, Cidade Aberta, encontra-se espelhada em livro publicado pela Editora Catavento em 2004, brilhantemente ilustrado por Mário Aloísio, arquiteto e também amigo do poeta.
Antes de seu prematuro falecimento, aos quarenta e cinco anos, dentre tantas composições que fizemos, gravei no meu último CD Dilúvio, uma de nossas parcerias, a música Evolução. 
Paulo, se foi, em mim fica a saudade e principalmente a lembrança do parceiro, amigo e irmão.

Evolução

Lá vem Sabino, vem Lampião
Chapéu de couro, fuzil na mão
Oi quem vem lá, oh! seu menino,
Chapéu de couro, é Virgulino, é Lampião
Galho de mandacaru, ceguei, ceguei
Cego de mandacaru, cheguei, cheguei
Se cego vago no mundo por onde andei
Cada toada que faço, cada cabra que mato
Espinho onde eu te achei ? Espinho onde ?
Sinto o vento vejo a serra
Cobras e escorpiões
Carcará maldito sonha
O sonho das perdições
Mas o cão não se comove
E vê as suas visões
E eu só sonho com Maria
Viver em paz nos sertões
Vem cá cabocla me faz um chamego
Quero esquecer: satanás escorpiões
Vem cá cabocla me faz um dengo
Quero esquecer: satanás escorpiões
E me tire essas visões
Quando a água surgir quero estar sem polícia sem Lampião
Quero estar livre num sonho, capoeira é do mato
Se eu lhe desacato, eu sou do sertão
Sou do sertão, sou do sertão
Eu sou do sertão
Se lhe desacato, sou Lampião, sou Lampião
Valente é o menino, sangrento é o sertão
É Lamp é Lamp é Lamp é Lamp
É Lamp é Lampião
É Lamp é Lamp é Lamp
É Lamp é Lampião
Seu nome é Virgulino
Apelido Lampião

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Novidade da boa

Chico Elpídio
Às vezes a vida nos prega uma peça e ficamos de cabeça pra baixo, dessa vez ocorreu o contrário, me levou ao céu. Através do inesquecível amigo e parceiro Paulo Renault, conheci Pablo de Carvalho, residente no bairro da Serraria, bem pertinho da minha antiga moradia, onde hoje ainda moram os meus filhos: Luana, Brunno e Rafael. Quis o destino, que Paulo Renault em uma de suas noites de boemia, me convidasse para acompanhá-lo à casa de Pablo, jovem escritor, cujo livro IULANA tinha prefaciado. Passamos a noite tomando umas e outras, ouvindo às poesias de Renault, intercalada por sambas e boleros; após esse contato, iniciei com Pablo uma parceria, hoje com 19 músicas já concluídas. A boa nova inicia-se em novembro, com direção musical de Jiuliano Gomes, ao lado dos músicos: Everaldo Borges, Almir Medeiros, Théo Gomes, Zailton Sarmento, Fabinho, Felix Baygon, Van, Ronalsa, Carlinhos Bala, Tony Augusto e Ricardo Lopes, com participação especial da cantora Luciana Guimarães, daremos inicio a gravação de CD “CONTEMPORÂNEOS”, esperando que no início de 2011, tenhamos concluído e antes do carnaval, encontre-se a disposição daqueles que gostam de novidade.
CONTEMPORÂNEOS

Lá está a figura de meu pai
Que o samba fez chorar por sentir amor demais
E sacar que o tempo vai também me fazer sambar
E cair em pranto como anos atrás
Sem lição nem geração - sem nada mais 
Que o samba pra afogar o coração
Samba é vinho, é cruz, é pedra de amolar.
Sobe riso e desce choro, a vida sai.
No seu passo que é batuque, é ilusão, abre de mão!
Vai já, fere o peito na noitada e alto-lá.
A parada, a quebrada, a balada ao luar.
O farol vem e cai na tristeza calada
Que dá se a gente vê nego sambar - Sambar
No seu passo que é batuque é ilusão
Sem lição nem geração – sem nada mais
Samba e vinho, é cruz, é pedra de amolar.
Vai já, fere o peito na noitada e alto-lá.
A parada, a quebrada, a balada ao luar.
O farol vem e cai na tristeza calada
Que dá se a gente vê nêgo sambar. 
La ia la la...
CHICO Elpídio e PABLO Tenório

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um livro pra Vinicius de Moraes

Eucanaã Ferraz, poeta e professor de literatura da UFRJ, apresenta discografia e bibliografia do grande poeta Vinicius e das parcerias com Tom Jobim, com quem criou alguns clássicos da bossa-nova, e com Baden Powell, com quem criou os afro-sambas. Vinicius de Moraes (1913-80) é o caso típico do artista que, ao longo do tempo, foi sendo sobreposto à própria obra.
Fala-se muito do poeta, mas lê-se insuficientemente sua poesia; sabemos de cor alguns de seus versos antológicos, mas não raro estancamos ali, sem seguir adiante, ou, se avançamos com a atenção devida, nem sempre nos arriscamos em textos menos consagrados. A popularidade do compositor-cantor deve-se ainda à sua presença em shows e nos meios de comunicação de massa, sobretudo nos anos 70. À época, quando a chamada MPB esteve intimamente associada ao movimento estudantil alvos permanentes da vigilância dos órgãos de repressão da ditadura militar. Vinicius, ao lado de seu parceiro Toquinho, lotava os auditórios universitários. Boates, cervejarias e casas de espetáculo nacionais e internacionais também faziam parte do circuito da dupla, que instaurava, em meio às sombras daqueles tempos, um rastro de liberdade e alegria por onde passasse.
Este breve livro tenta uma visão equilibrada, focalizando a palavra do poeta nos poemas (capítulo 1) e nas canções (capítulo 2). No primeiro caso, abrindo mão de quadros amplos, fases, influências, vão-se examinar determinadas constantes e/ou variantes temáticas e formais, privilegiando-se a leitura de poemas. No segundo, a atenção estará voltada para determinados traços caracterizadores do cancioneiro de Vinicius, com destaque para os momentos que solidificaram sua prática composicional.
Livro – Vinicius de Moraes
Autor – Eucanaã Ferraz
Editora – Publifolha, 114 páginas, R$ 18,90
Onde comprar – nas principais livrarias, pelo telefone 0800 – 140090.
chicoelpidio@hotmail.com 

CANTORES DE RUA

É mágico, surpreendente o sentimento desses cantores de rua, a força da voz negra é de arrepiar. Maravilhoso, fone no ouvido e curtam "STAND BY ME"

NOVIDADES CONHECIDAS - LARA MELO