terça-feira, 25 de julho de 2017


EDSON BEZERRA – AUTORAL

Revendo os meus discos em busca de novidades encontro entre eles um CD com a gravação na integra de um show realizado pelo professor Edson Bezerra no Teatro Deodoro, em 1994. Um trabalho autoral de rara beleza, ilustrado com o requinte musical de três excelentes músicos: Ricardo Lopes, arranjador e Guitarra, Miran Abs – Violoncelo e Jiuliano Gomes no Teclado. Para os amantes da música autoral alagoana, uma rara oportunidade para ouvir e conhecer um pouco mais desse artista, que transborda de emoção quando canta e interpreta suas canções. 

OS OLHOS DO CORPO

Meus olhos viram coisas que só eu sei
Viram cores viram amores emoções
Meu corpo pedem toques que nem (só) eu sei
Pedem vícios precipícios emoções...


Meus olhos viram deuses que só eu sei
Sem palavras teus olhares dois clarões
Meu corpo sentem toques que só eu sei
São teus pelos teus desvelos emoções...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

NOVIDADES CONHECIDAS - LARA MELO



ALMANAQUE - JANE DUBOC E CHICO ELPIDIO









·   O Almanaque Educativa desta semana faz um especial musical com o cantor e compositor alagoano Chico Elpídio e a cantora paraense Jane Duboc . Também nesta edição, uma análise do novo trabalho de Roberta Sá, intitulado “Delírio”. A atração vai ao ar no sábado pela Educativa FM às 11 horas, e reapresentação na Difusora AM, a partir das 14 horas.
O programa relembra os grandes sucessos da carreira do cantor e compositor alagoano Chico Elpídio, com mais de trinta anos dedicados à música brasileira. Seu último CD "Dilúvio" foi gravado em 2007, dentre as músicas, um dos destaques é "Maceió, meu xodó.



MAR DE HARMONIAS - LARA MELO

SHOW CONTEMPLADO PELO PRÊMIO DIOGO SILVESTRE

A Música é uma sequência de ondas sonoras com um certo sentido rítmico, melódico. Seria ela um “Mar de Harmonias”, onde tudo está balanceado, sem riscos de naufrágios ou rimas descabidas.
Este, aliás, é o nome do show que a cantora alagoana Lara Melo está trazendo para Arapiraca nesta quinta-feira (18), dentro do projeto contemplado pelo Prêmio Diogo Silvestre, contando com o apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Arapiraca.
Com entrada franca, a apresentação acontecerá no Teatro Cenecista Thereza Auto Teófilo, nobairro do Centro, tendo a abertura feita pelo estudante de Música da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Wyron Roberth.

Neste novo formato, ela homenageia a poesia e a música do cantor alagoano Chico Elpídio, ainda pouco conhecido do grande público, mas de uma pureza gigantesca em suas composições sambistas.
Em novembro do ano passado, a intérprete ganhou o 3º lugar no Festival Em Cantos de Alagoas,realizado em Maceió.

Voz de maçã

Desde os 15 anos, o canto surgiu para Lara Melo como quem nasce para o seu par. Ela entrou para o coral da Escola Técnica Federal de Alagoas (Etfal, hoje Instituto Federal de Alagoas – Ifal), acompanhada e influenciada pela própria mãe. E foi aquele turbilhão todo de emoções.
De lá para cá – atualmente a cantora tem 32 anos de idade –, a paixão vem só aumentando. Hoje ela é integrante da banda de samba Cai Dentro, que é frequente atração dos barzinhos de Maceió aos finais de semana.
Mas este agora é um projeto solo. “A Música me faz flutuar nesse mar de incertezas que é a vida. Dá uma leveza maior em tudo. E poder homenagear o grande amigo Chico Elpídio é de uma honra sem tamanho e, ainda, pela primeira vez em Arapiraca com este projeto agraciado em edital pela Secretaria de Estado da Cultura. Estou muito feliz”, diz Lara, enfatizando ter lançado um DVD recentemente intitulado “Vertente”, com canções de dois Chicos: Elpídio e Buarque.
Para cá, ela traz isoladamente o cancioneiro de Elpídio, que figurava como um dos ponta de lança do Grupo Terra, aqui em Alagoas. Ele próprio aprovou as versões de Lara e já a apelidou de “voz de maçã”.
Fonte: Assessoria


A música e seu tempo: o GRUPO TERRA.


Dois dedos de prosa sobre Edson Bezerra

Edson Bezerra cumpre um importante papel na vida cultural de Alagoas tanto como sociólogo e professor, quanto artista e militante nos movimentos culturais, contribuindo, portanto, significativamente para a discussão e construção disto que é chamado de Alagoas por todos nós. 
É praticamente impossível escrever uma história da atual vida cultural de Alagoas, sem passar pelas inquietações de Edson. Hoje ela volta no tempo e vai se rever quando fala do Grupo Terra, demonstrando que, em Alagoas, tudo nao é efêmero quanto parece. 
Ler Edson nesta sua viagem é uma grande satisfação, não somente por vê-lo recordar, mas por nos dar elementos para uma sociologia histórica a trabalhar a nossa música. 
Um abraço em Edson e vamos ler. Campus agradece. 

Si Bemol, maio de 2014 

Quem é quem
Edson José de Gouveia Bezerra foi integrante do Grupo Terra e atualmente é Doutor em sociologia e professor universitário da Uneal e Seune
Memória memória memória memória memória memória

GRUPO TERRA: uma trupe de ideias e uma fábrica de sonhos. Fragmentos de um tempo.
Para Cláudio Carlos, Napoleão Barbosa Jr e Beto Batera, por entre saudades e afetos
Por Edson Bezerra e Francisco Elpídio, o Chico Terra
Mas do que um agregado de músicos, o Terra foi uma usina de sonhos, uma trupe solidária. Nascido em 1975 por iniciativa de Chico Elpídio, antigo músico da noite e de outras trajetórias, rapidamente ao redor de sua ideia se agregaram outros, quase todos, músicos da noite, oriundos de bandas de bailes, bares e boites[1][i] que na década de 70 do século passado se espalhavam pela cidade e, foi justamente essa mistura de músicos de baile e de intelectuais que deram ao Grupo Terra uma identidade híbrida, no sentido de uma percepção, a qual, diferenciada, possibilitaria uma curiosa construção artístico-cultural na apreensão do imaginário alagoano, quando somados ali, aos apuros técnicos dos músicos se afunilou a percepção do clima político daqueles anos de fins da ditadura militar filtrada por alguns jovens intelectuais – o Paulo Renault, o Manoel Miranda - antenados com aquele momento de abertura política, de luta pela anistia e de outros embates antagônicos entre democracia e ditadura.
De início, de uma ideia inicialmente compartilhada com o batera Cláudio Carlos, ela logo se estenderia à Marcos Antônio, o Marcus Vagareza, e rapidamente seria compartilhada com Zailton Samento (viola e cavaquinho) e Messias (Contrabaixo), o Gancho. Daí em diante, durante a sua curta trajetória em um período de cinco anos, - de 1975 a 1983 - a trajetória do grupo alinhada à efervescência daqueles anos se tornaria uma referência cultural da cidade.
Todavia, as articulações que culminaram no agregado do Terra não começaria exatamente alí, mas, um pouco antes, digamos, através dos miúdos das articulações culturais e das esparsas cenas musicais da cidade. Dentre alguns, um dos miúdos da cena musical daquela época eram os festivais de música e, foi justamente em um deles, o Fempop (Festival Estudantil de Música Popular em 1972) articulado pelo educador Élcio Verçosa - na época Diretor do Colégio Estadual Benedito de Morais - que algumas pessoas que formariam o Terra passaram a se conhecer. Naquele ano, 1972, o vencedor daquele festival foi uma música composta em uma parceria de Marcus Antônio, o Marcus Vagareza e Manoel Miranda; em segundo lugar uma outra composta por Paulo Renault e em terceiro lugar, uma música minha, Edson Bezerra – Onde estais? - e sobre ela Chico Elídio, meu irmão, faria o arranjo. Em seguida à aquele festival, eu, Paulo Renault, Chico e Marcos Vagareza idealizamos um show que seria realizado no Teatro Deodoro intitulado Contra Guerra, de modo que, as poucos foram se afunilando as parcerias, pois foi justamente a partir daquele evento que se formaria um pequeno núcleo de poetas e músicos – o Chico Elpídio, o Paulo Renault, o Manoel Miranda, o Marcus Vagareza - que passaram a encontrar periodicamente na Praça dos Martírios. Daí para a formação do Terra foi apenas um passo.
No entanto, o nascimento do Grupo Terra em 1975 não se daria em um vazio. O seu aparecer se deu em uma ambiência de regionalismo no qual vinham surgindo grupos de um formato acústico que se voltavam para uma música de enraizamento nas culturas populares do nordeste. Emblemático deste momento foi a criação do Quinteto Armorial (1970), do Quinteto Violado (1971) e da Banda de Pau e Corda (1972) – todos de Pernambuco - e de tantos outros grupos que a partir daquela época foram surgindo e se proliferando pelo nordeste e por aqui nas Alagoas. Todavia, antecedendo estas configurações, em nossa capital Caeté no final da década de 60, havia o Capeme, um grupo de formação acustica o qual, nas ambiências locais daqueles anos, foi uma novidade[ii]. Todavia, a diferença do Terra para com aqueles grupos estava no sentido de uma produção atenta, tanto para as particularidades dastradições locais bem como para os fluxos emergentes daquele momento político. E foi esta fusão de uma proposta regionalista aberta para as culturas populares e atento e situado nas particularidades daquele momento, que definiriam a identidade do Grupo Terra enquanto uma trupe aberta paras os fluxos das emergências culturas que ali se desenhavam.
Montando o cenário - Aprofundando o já situado, o nascimento do Grupo Terra se deu em um momento de efervescência política, pois naquele momento - meados dos anos 70 - estávamos vivendo o momento da luta pela reconquista das liberdades democráticas, da luta pela anistia e do retorno do movimento estudantil que aos poucos ia ressurgindo na luta contra a Ditadura. Em uma Maceió profundamente conservadora, estávamos vivendo naqueles anos os tempos sombrios da censura e da clandestinidade, tempos no qual por aqui fundava-se a Sociedade Alagoana de Direitos Humanos, o Comitê Pela Anistia e que o P.C do B (Partido Comunista do Brasil) estava no protagonismo das emergências políticas pelas liberdades democráticas. Foi por esta época que se deu a volta do T.U.A. (Teatro Universitário), o qual, juntamente com ATA (Associação Teatral de Alagoas) mantinham viva a cena teatral na capital Caeté, e, foi neste contexto de liberdades vigiadas, que a arte a cultura se manifestavam na produção de um duplo movimento: enquanto meio de interpelação das consciências e na produção de um asmbiente cultural politizado pelas rasuras e angustias daquele momento. Foi neste contyesto de emergências que o Senador Teotônio Vilela iniciaria uma trajetória libertária pela volta da democracia e aos poucos, ao ganhar projeção nacional foi identificado de O Menestrel das Alagoas.
Todavia, se a cena política era efervescente, o cenário musical da cidade era de uma pobreza franciscana e os músicos daquele tempo, as dezenas deles, viviam tocando em boites e bailes que naqueles anos se proliferavam pela cidade. Djavan, crooner da banda LSD[iii] (Luz, Som e Dimensão) já estava no Rio (ele saíra daqui em 1971) e as raridades dos shows que haviam na cidade ficava por conta de uma banda undergraund, o Grupo Watt[iv]. Cultura mesmo na cidade somente acontecia durante o Festival de Verão[v] e do Festival de Cinema de Penedo[vi], quando ali, ao lado de artistas de renome nacional, subiam aos palcos alguns artistas da terra, pois na cidade mesmo, o que haviam eram os bares e algumas boites, alguns deles, destacamos, iriam significar uma ruptura para os padrões locais. Foi o caso do Bar Caninha, situado no Farol, da Bar do Alípio no Pontal da Barra, do Zinga Bar e da Casa Bahia no isolado bairro de Ipioca. Fora estes, a proliferação das dezenas dos outros situavam-se dentro da ambiência do lugar comum da boemia cotidiana da cidade, de modo que, neste contexto, o nascimento do Grupo Terra, causaria surpresa tanto por sua qualidade e harmonia, bem como por sua inserção na vida política e cultural da cidade. Em suma, o Terra quando surgiu, rapidamente se enquadrou no contexto das emergências, pois, em sua breve trajetória ele subiria e montaria diferentes palcos e abordaria diferentes temáticas.

O início

O Grupo Terra se apresentou pela primeira vez durante o III Festival de Verão em Marechal Deodoro em 1976 no altar do Convento de São Francisco sinalizando já alí uma das marcas de sua temática de um regionalismo aqui situado na canção de Marcos Vagareza, Minha Terra:
Minha Terra (Marcus Vagareza)

Um pedacinho de terra
Cá do norte do Brasil
Do reisado e do fandango
Da chegança e pastoril
Guerreiro chegou a hora de cantar tua origem, do vermelho e do azul,
Desse céu e desse mar, de Manguaba e Mundau
Sol se pondo na avenida, muito amor no coração,
Muita fé muita coragem pra seguir na procissão,
Minha terra tem coqueiros onde o vento faz canção.”

O núcleo temática deste primeiro show – de uma escrita nativista local aliada a crítica social – seria uma constante nos anos seguintes através das montagens anuais do grupo e foi com este mesmo formato crítico e poético que foram montados os shows Cidade Antiga em 1980 (com uma temática crítica sobre as derrubadas dos velhos casarões e prédios históricos da cidade de Maceió); com Canto Novo em 1981 (um canto denúncia sobre os universos dos sertões); Rescordação em 1982 (um show temático em homenagem ao compositor alagoano Reinaldo Costa) e, finalmente em 1983, Gente das Brenhas (com uma montagem voltada para o entranhado das culturas populares alagoanas). Foram através destes shows em um momento de uma intensa efervescência política que o Terra foi se tornando uma referência musical da cidade. Todavia, o espaço de sobrevivência cultural era mínimo, e uma das poucas alternativas existentes eram os festivais que no final da década dos anos 70 foram produzidos por um pequeno núcleo de radialistas apaixonados[vii] da Rádio Gazeta e da Rádio Difusora.
Um deles seria II Festival do Compositor Alagoano realizado em 1978 pela Rádio Difusora de Alagoas[viii] no qual o Terra ficaria em primeiro lugar com Pássaro de Prata (Edson Bezerra e Carlos Moura). O segundo festival do qual o Terra participaria foi I Festival Alagoano da Canção Nordestina, em 1979, cujas músicas classificadas foram gravadas no LP Terra da Gente[ix]. Neste festival o grupo classificaria quatro músicas: Desesperança (Eliezer Setton); Chão Quente (Marcondes Costa e Juvenal Lopes); Festa na Roça (Marcus Vagareza) e Meu Sertão (José Cavalcante e Marcondes Costa)[x].
Já em 1983, no apagar das luzes da ditadura, quando o DCE (Diretório Central de Estudantes) produziu o III Festival Universitário de Música, o Grupo Terra se classificaria em primeiro lugar e quarto lugar com as músicas Canto do Chão (César Rodrigues, Chico Terra e Edson Bezerra) e Raízes (uma parceria de Chico Terra e Eliezer Setton). No clima das emergências políticas e de luta pelas reconquistas das liberdades democráticas, aquele festival produziria uma efervescência que se estenderia para além dos palcos potencializada pela produção de um LP[xi] – O III Festival Alagoano de Música Popular - das músicas nele classificadas e dos embates com a censura em uma contenda que ganharia manchete em alguns dos principais jornais do pais, pois algumas das músicas daquele festival – caso de Canto do Chão, Raízes (Chico Elpídio e Eliezer Setton) e Sem Remédio e Sem Doutor (Macleen Carneiro) – foram motivos de acirrados debates pelos membros do Conselho Superior de Censura[xii].
Para além dos palcos, o chamado das ruas

Todavia, para além dos shows e dos diferentes palcos, a trajetória do Terra foi – e é o que hoje se poder apreender dali – estar em ter sido ele mais do que uma agregado de músicos talentosos, uma sensibilidade aberta aos clamores do tempo e aos chamados das ruas, quando o registro das memórias testemunha a presença do Terra em palcos politizados pelas lutas das liberdades democráticas, da reconstrução do movimento estudantil, naluta pela anistia e na construção de uma trajetória poética atenta para as particularidades locais, vez que ele, na medida em que estava entranhado na linguagem crítica de seus tempo, o grupo se apresentou em cima de caminhões e palcos improvisados animou comícios, potencializou movimentos e encontros estudantis e acolheu em sua trajetória músicos anônimos e é este foi um de seus registros e de suas marcas para além de sua harmonia e da estética de suas narrativas melódicas e foi esta a marca em todos os seus shows: um permanente estar em abertura aos sinais dos tempos, pois, na verdade os seus shows foram momentos de uma trajetória que se construiu por dentre festivais, viagens e diferentes palcos.


O lento apagar das luzes, heranças e herdeiros

Pois bem, em meados dos anos 80 depois do Terra ter gravado um Lp, - graças ao qual tivemos três de nossas músicas incluídas em tema de Novela – Maria Fumaça e Noite Sertaneja em Meu Pé de Laranja Lima[xiii] e Literatura de Cordel em Rosa Baiana[xiv], recebemos um convite para nos apresentarmos em um programa, o qual se hoje está no diminuto das audiências, naqueles anos era ele era um dos programas de maior audiência da Rede Globo nas manhãs de domingo: o Som Brasil do Roland Boldrim e um pouco depois, recebemos um outro convite e este desta vez, era para valer. A Band que havia produzido o nosso disco nos ofereceu um contrato que dentre algumas de suas clausulas estava o seguinte: nos apresentarmos em todos os estados do Brasil em programas associados a Rede Bandeirantes com direito a cachê e hospedagens. Pois foi justamente ai que a coisa desandou, uma vez que, era pegar ou largar e então largamos e os motivos foram coloquiais: aceito por uns e rejeitada por outros, os motivos do contra foram os empregos e as obrigações com a família. Dá para acreditar? Pois foi assim que o Grupo Terra terminou seus dias, pois por aqui já havia um cansaço vindo sabe-se lá de onde!!!
Todavia, há que se pensar que quando uma vida é vivida por ser vida morre e que morrendo vira semente, e, foi assim e ficou assim pois o que cantamos, pelo que vivemos e sonhamos e pelo que lutamos se espalhou em presenças que ficaram nos sonhos do fomos um dia presença e, do que sou, ao Terra devo um pedaço, e, o que pensar do Jurandir Bozo vinte anos depois em sua presença de peso a cantar Festa da Roça no agora extinto Poeira Nordestina? E o que sentir diante do galego sarará Eliezer Setton cantando loas e boas em sua narrativa laudatória da gente Caeté? E o que se revela do rasto do Terra diante do lirismo bossa-nova do Chico Elpídio meu parceiro e irmão?
Pois foi, foi assim e eu cá por mim termino com uma frase de uma bela canção do Terra: E agora cante cantador e, vou ficando por aqui que a emoção já me chega e me recolho quieto no baú das memórias minhas e pensando também nas dos outros que por ali estiveram juntos entoando memórias e cantando hinos libertários.


O festival teve em sua produção os radialista Haroldo Miranda e Floracy Cavalcante, e, além de Pássaro de Prata o Terra também emplacaria naquele festival mais três músicas Preto Velho (Laérson Luiz), Agora Cante Cantador (Chico Elpidio e Paulo Renault) e Acordo às quatro (Marcondes Costa) que marcaria as parcerias com Marcondes Costa, Psiquiatra e compositor. O disco daquele festival seria nos estúdios da Rádio Difusora em quatro canais e mixado pelo técnico Francisco de Magalhães Junior.
[O destaque desse festival, além das músicas, foi o jurado cuidadosamente escolhido pelo radialista
O destaque desse festival, além das músicas, foi o jurado cuidadosamente escolhido pelo radialista Edécio Lopes: Guio de Moraes - maestro, Carmélia Alves - cantora, Onildo Almeida – compositor, Claudionor Germano - cantor, Aldemar Paiva - jornalista, Raimundo Campos - pesquisador, Romildo Freitas - radialista, Claudemir Araújo - jornalista e Jovelino Lima - maestro.
O disco daquele festival se chamaria Terra da Gente e foi produzido pela Rádio Gazeta de Alagoas e gravado na CACTUS em Recife sob a direção musical do então Ivanildo Rafael, com direção e produção de Claudionor Germano e direção geral de Edécio Lopes.
Produzido pelo DCE-UFAL, o disco teria a Direção de Produção de Paulo Pedrosa; Direção Artística de José Gomes Brandão; Técnico de Gravação – Jailson Romão; Mixagem de José G Brandão, Chico Elpídio e Jailson Romão e no desenho de Arte da Capa, Ênio Lins.
De todas, Raízes foi a música mais visada e a polêmica em torno de sua censura virou notícia nacional quando, em 1983, deu-se foi uma acirrada discussão envolvendo os conselheiros Pompeu de Souza, representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Antônio de Morais, do Conselho federal de Entorpecentes (CONFEN), ambos integrantes do Conselho Superior de Censura (CSC) em Brasília. A polêmica em trono da música seria noticia em vários jornais do País - Jornal do Brasil, A Tarde, Folha de São Paulo, etc.

 Meu Pé de Laranja Lima,1980.
Baiana, Bandeirantes, 1981. Ressalte-se que se no disco anterior, Meu Pé de Laranja Lima nã

MAR DE HARMONIAS - A MÚSICA DE CHICO ELPÍDIO

 Alagoas Boreal

Show 'Mar de Hamonias' acontece nos dias 18 e 25 de abril, em Arapiraca e Maceió, com participações especiais de nomes como Kel Monalisa e Mel Nascimento; entrada é gratuita.

Com o espetáculo musical "Mar de Harmonias: A música de Chico Elpídio", a cantora Lara Melo retorna aos palcos em grande estilo, homenageando o compositor na terça-feira (18), Às 19h30, no teatro Thereza Auto Teófilo, em Arapiraca.
Os maceioenses poderão conferir o trabalho no dia 25 de abril, no centro cultural Arte Pajuçara.
No repertório, sucessos do compositor Chico Elpídio e de nomes como Pablo de Carvalho, Eliezer Setton, Geraldo Rebêlo e Edson Bezerra. As participações especiais ficam por conta de Kel Monalisa, Mari da Costa, Mel Nascimento, Giba Simplício, Andrea Laís e o próprio Chico Elpídio.
"Todos farão interpretações que imprimem o próprio DNA, agregando valores à trilha de Lara Melo e do compositor reverenciado".
A entrada é gratuita e os ingressos começam a ser distribuídos às 16h no dia das apresentações. O show foi um dos projetos selecionados pelo edital Prêmio Diogo Silvestre, na categoria "Música" de 2016.




























quinta-feira, 13 de julho de 2017

PAULO RENAULT - POETA, COMPOSITOR E BOÊMIO!

Homenagem prestada ao poeta Paulo Renault

O poeta declamando no Bar Nação Caeté

Paulo Renault, Chico de Assis e o ex-jogador de futebol Jorge Siri

Paulo Renault e Chico Elpídio seu principal parceiro
Capa do Livro
Geraldo de Majella

Paulo Renault Braga Villas Boas [1958-2003], poeta, compositor, funcionário público, trabalhou na Fundação Cultural Cidade de Maceió e Fundação Teatro Deodoro – Funted. Antes havia trabalhado como vendedor da Brahma. Nasceu em Maceió no dia 29/10/1958 e faleceu em Maceió no 19/11/2003. Filho de Renault Paranhos Villas Boas e Leda Braga Vilas Boas. Cursou até o 3º período de administração de empresas no Centro de Estudos Superiores de Maceió - CESMAC. Casou-se com a professora Márcia Maria Lima Villas Boas; o casal teve dois filhos, Rodrigo e Sergio Lima Villas Boas.
A política foi um dos assuntos que mais atraiu Paulo Renault, além da poesia e da boemia. Tinha nas veias o sangue do histórico militante comunista Júlio de Almeida Braga, seu avô e um dos fundadores em Alagoas do Partido Comunista Brasileiro – PCB, razão fundamental de tanto falar do avó e de relatar em segunda mão as proezas do velho comunista nas prisões e durante a vida de operário e inventor de instrumentos mecânicos.
Paulo Renault ousou na juventude entrar para a militância política no antigo PCB, mas logo admitiu não ser essa a sua opção de vida. Pediu “baixa” do PCB e seguiu o seu caminho de poeta e compositor. O que de fato estava certo, pois a política partidária não seria o melhor caminho para ele trilhar.
Paulo Renault foi parceiro de Chico Elpídio, Eliezer Setton, Marcondes Costa e Carlos Moura, dentre outros. Das músicas compostas em parceria com os amigos, algumas foram gravadas. A temática de suas composições foi sempre focada na condição social do ser humano, seus desejos e suas fraquezas, com influências da bossa nova, da música de raiz nordestina e da MPB.
Integrou um dos mais importantes grupos musicais de Alagoas, o Grupo Terra. Esse conjunto musical foi criado no final dos anos 70 e permaneceu até o início dos oitenta. Márcia, sua companheira, diz que ele “possuía aguçado senso musical e uma voz privilegiada, com um agudo incomum, e que a sua relação com o violão – instrumento de sua predileção − era apenas a de um pretenso tocador, pois não se dedicava com a profundidade que gostaria ou deveria”.
Os músicos que constituíram o Grupo Terra se tornaram uma referência da sua geração. Entraram de corpo e alma na produção de música alagoana, com forte influência do estilo regional. Durante a década de 70 despontavam no cenário artístico nacional grupos musicais como o Quinteto Violado e a Banda de Pau e Corda ambos pernambucanos.
A motivação dos músicos era também a do compositor Paulo Renault, que tinha como uma das suas características pessoais o entusiasmo e a grandiloquência. Talvez por ser dessa maneira, “mergulhava de cabeça” em tudo que escolhia.
A passagem pelos vários órgãos públicos de cultura era, além do seu oficio, um caminho para tentar se expressar politicamente no ambiente artístico e cultural das Alagoas.
Autodidata
O temperamento irrequieto o conduziu por toda a vida – curta, é bom que se destaque. Morreu com apenas 45 anos. Era autodidata; sem que nunca houvesse estudado direção teatral, codirigiu com Paulo Déo, em 1995, uma peça do consagrado escritor gaúcho Moacyr Scliar, Introdução à Prática Amorosa.
Três anos depois, em 1998, ajudou a montar o espetáculo Maceió Cidade Aberta, com o seu amigo o cantor e compositor Chico Elpídio. Esse show foi baseado numa de suas obras, e os poemas foram musicados por Chico Elpídio. A direção ficou a cargo do experiente diretor José Márcio Passos.
O trabalho como produtor musical também o atraia e por muitos anos produziu shows de cantores alagoanos como Eliezer Setton, Leureny Barbosa, Nara Cordeiro, Wilma Miranda, entre outros. O envolvimento na produção não era restrito à montagem formal do espetáculo apenas mas acabava se envolvendo muitas vezes na escolha do repertório; opinava sobre os arranjos musicais e até mesmo sobre a apresentação no palco de cada um dos artistas.
Livros 
A Saga do Toureiro é o primeiro livro, com 18 poemas inéditos, editado pela FUNTED em 1990. O livro fez parte da coleção Palco e Luz. Os poemas são críticos ao mundo capitalista globalizado, onde a ideologia do individualismo domina o mundo e transforma os seres humanos em objetos e/ou máquinas de consumo.
Quando Paulo Renault morreu, Maceió Cidade Aberta estava sendo produzido. Os 25 poemas que compõem o livro foram ilustrados por Mário Aloísio, arquiteto e seu amigo. Só em 2004 foi publicado pela Editora Catavento.
Maceió Cidade Aberta é um conjunto de poemas em que a cidade e sua gente são retratadas. A identidade do poeta com a cidade natal rende muito mais que uma ode. É possível se perceber o que liga um poeta marginal aos marginalizados sociais. É a denuncia do cotidiano mais cruento, são os encontros e desencontros ocorridos entre Paulo Renault e Maceió.
A cidade que sucumbe diante da miséria a que sua gente é arrastada é a mesma cidade em que o poeta foi criado e andou pelos becos, ruas, avenidas, cruzou córregos e se banhou na lagoa Mundaú e no mar. O descaso e o sofrimento do povo e da cidade se confundem com a vida do poeta que romanticamente quer vê-la aberta, livre da miséria e feliz.
Renault produzia lentamente. Publicou apenas dois livros com 43 poemas; deixou outros poemas inéditos, letras de músicas e textos esparsos que merecem ser organizados em outro volume, para assim completar a sua obra.
O boêmio
A boemia era uma das atividades que lhe davam prazer desde a adolescência. O bate-papo em bares, restaurantes e botecos, nas casas mais seletas ou na periferia, não o incomodava e da sua boca ninguém ouviria nenhum comentário ou resmungo. O boteco com três mesinhas à beira do riacho do Salgadinho era um termômetro da sua satisfação.
Agora imaginem os finais de tarde no Largo do Mercado de Jaraguá, no alegre Buraco da Zefinha? Um típico pé-sujo da cidade, mas que durante muitos anos foi frequentado por boêmios de várias extrações sociais. Era o local onde o poeta pontificava com mais assiduidade.
O samba cantado pelo cantor Zé Paulo era o que havia de melhor e diferente nas tardes de sábado em Maceió. O velho cantor de samba, com seus óculos escuros, adorno que o identificava muito mais que o documento de identificação, o RG.
Os intervalos invariavelmente eram destinados aos recitais dos poemas de sua autoria ou de outros poetas. Os amigos, depois de tomar muitas, insistentemente solicitavam que Paulo Renault declamasse Vou embora pra New York, o seu mais conhecido poema. Era um delírio embebido no álcool. Palmas, assovios, gritos e mais bebidas, sempre.
No entorno do Buraco da Zefinha e do Poeta se formou uma confraria em estilo profundamente anárquico, e até foi criado um bloco de carnaval chamado Família Josefina. O bloco desfilou apenas um ano pelas ruas do bairro. O poeta foi um dos destaques. Fantasiado, desfilou pelas ruas e becos de Jaraguá. O ponto alto foi o momento em que solenemente foi afixada uma placa em homenagem à Rapariga (prostituta) Desconhecida.
O território mais conhecido das prostitutas em Maceió recebeu em pleno carnaval essa singela homenagem póstuma. Nada mais justo do que se prestar uma homenagem pública às trabalhadoras do sexo.

NOVIDADES CONHECIDAS - LARA MELO