quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Manifesto Sururu

Edson Bezerra, o autor.
O manifesto sururu quer muito pouco. 
Quem sabe um pouco mais do que exercitar um certo olhar: um olhar atento por sobre as coisas alagoanas. O manifesto sururu não quer apostar e nem pousar em outras imagens. 
O que ele procura é exercitar olhos e sentidos por sobre (e dentre) antigas e permanentes imagens das coisas alagoanas: olhar primeiramente os canais que interligam as lagoas e os rios. 
Os canais sempre foram as nossas pontes e disto já o sabia Octávio Brandão. 
O manifesto sururu também fala da fome. Não da fome comum, mas da fome de devorar as Alagoas.
Contra as derrapagens de uma modernidade vazia, uma outra assinalada de coisas alagoanas.
Novas rotas. Rotas alagoanas: de canais e lagoas, sobretudo.

Tchello d’Barros 
Aqui uma lúdica intertextuallidade com o Manifesto Sururu, esse breviário de saberes, falares e viveres, que você trouxe à tona numa linguagem poética impregnada de essências alagoanas, de ancestralidades, de elementos arquetípicos dessa terra, dessa gente. 
Seu manifesto é também uma desiderata, uma narrativa que resgata o lado até mesmo atávico da civilização que se desenhou nesta região de antigas sesmarias, o lado oposto das transculturizações - principalmente ianques - que descaracterizam o que cada povo tem de mais original, autóctone e autêntico.

Mácleim
Se você foi capaz de ter sentido, nas doses homeopáticas retiradas do texto do Edson Bezerra, o gostinho salgado e a textura fluida da alma e da lama lagunar das Alagoas, com certeza, vai querer conhecer, na íntegra, o Manifesto Sururu para a consolidação de uma nova postura diante da cultura Caeté. 












sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Meus queridos e inesquecíveis parceiros

Com muita observação, insistência e por que não dizer, determinação, passei parte da minha adolescência observando e acompanhando os grandes compositores alagoanos, pois meu sonho era compor nem que fosso uma unica música. Entre os vários compositores que faziam sucesso à época, Antônio Paurilho, era o mais famoso no meio artístico, autor do bolero Ansiedade, gravado por Alcides Gerard, pra meu deleite, residia próximo a minha casa, para compor utilizava o piano.
Juvenal Lopes, autor de Pisei no Liro e Maceió, músicas nacionalmente conhecidas, gravadas por Marinês e Noite Ilustrada, respectivamente. Fui apresentado a Juvenal pelo amigo Marcondes Costa, que já era seu parceiro, o que proporcionou ao Grupo Terra a oportunidade de gravar e defender nos festivais, algumas de suas composições.
Reinaldo Costa, músico integrante do quadro de artista da Rádio Difusora de Alagoas, autor de Rescordação, baião gravado por Marinês e sua gente. Marcondes Costa, autor de Acordo as Quatro, música gravada por Luis Gonzaga e Grupo Terra, utilizada posteriormente como tema do Mobral, com quem em um futuro próximo, tornei-me parceiro. Como se pode observar, iniciei meu aprendizado com os mestres regionais, posteriormente, curioso querendo alcançar novos horizontes, começei a admirar Edu Lobo e Tom Jobim, a cada música ouvida, surgia uma agradável surpresa nas harmonias.

Meus Parceiros
Geraldo Rebêlo foi o meu primeiro, timidamente iniciamos a compor. Nossa primeira parceria foi Estrelinha, depois Bem Devagar e Onde eu me encontro; lentamente fomos fisgados pela bossa nova, assimilamos as novas harmonias e continuamos em busca de idéias e caminhos musicais diferentes, o que resultou em mais de vinte composições, nos motivando a gravar o CD Dilúvio.

Paulo Renault, grande amigo, tivemos uma amizade muito fraterna, era um letrista de idéias arrojadas. Montamos o show, Maceió, cidade aberta, com músicas minhas em parceria com Geraldo Rebêlo e textos do próprio Paulo  Renault. O show foi apresentado várias vezes nos Teatros: Arena e Deodoro, causando excelente repercussão no meio cultural alagoano. Paulo Renault faleceu em 19 de novembro de 2003.

No Colégio Moreira e Silva, onde cursei o último ano do antigo colegial, conheci Teógenes Rocha, dono de uma voz poderosa, com quem tive momentos de criação romântica, dentre tantas, destaco Sempre Assim, gravada por Nara Cordeiro.

Edson Bezerra, meu brother, sempre atento aos movimentos populares, me incentivou para com César Rodrigues, musicássemos a letra Canto do Chão, texto revolucionário, que posterioemente nos daria o primeiro lugar no 3º Festival Universitário, promovido pelo DCE/UFAL. Ainda musiquei as letras: Luana, Mundaú, Dilúvio e Limites, que alcançou o segundo lugar no 2º Canta Nordeste regional.

 Eliezer Setton, filho do Setton Neto, ex Rei Momo, integrante do quadro de artistas da Rádio Difusora; com Setton compus músicas para o Grupo Terra, dentre as mais conhecidas: Raízes, Poder é querer e Serra Pau, vencedora do 1º Canta Nordeste regional, o que nos levou a disputar com os vencedores de todos os estados nordestinos.


Pablo de Carvalho, meu atual e inesperado parceiro; após o incidente, em que perdi o dedo anular, por ele incentivado,  voltei a compor, já são mais de quinze músicas, que em breve farão parte do CD Contemporâneos..
Em gratidão as esses maravilhosos parceiros e amigos, disponibilizei para "download" todas as músicas dos CD's: Duas Caras, Dilúvio, do LP do Grupo Terra e outras gravadas por artistas alagoanos: Wilma Araújo, Leureni, Dydha Lyra, Eliezer Setton, Telma Soares, Nara Cordeiro, Ana Costa, Dulce Miranda e outros.
As músicas encontram-se disponíveis logo após o Arquivo do Blog.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lembranças do Grupo Terra


Para os que têm saudade do Grupo Terra e principalmente aos fãs que conviveram e acompanharam o trabalho do grupo desde o início, como nosso padrinho e amigo Cavalcante Barros. 
Na foto estão presentes os primeiros componentes do Terra, em pé: Nelson, Zailton, Marcus Vagareza e Chico Elpídio, sentados: Claudio Batera, Paulo Renault e nosso incentivador, Cavalcanti Barros.  
O registro deve-se ao convite que tivemos do Vice-Governador, Antônio Gomes de Barros, para visitá-lo no Palácio Floriano Peixoto, após ter assistido nossa primeira apresentação no Festival de Verão, realizado na Cidade de Marechal Deodoro. Também fazia parte do grupo, o baixista Gancho, posteriormente os compositores e cantores Eliezer Setton e Edson Bezerra, além de Beto Batera e Jorginho Quintella.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

TCE tem de pagar abono permanência a servidor, decide TJ

O desembargador Estácio Gama de Lima, integrante da Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), determinou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) realize o pagamento de abono permanência ao servidor Francisco Elpídio de Gouveia Bezerra. A decisão, em caráter liminar, foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) desta sexta-feira (05) e prevê multa pessoal à presidência do TCE, no valor de mil reais por dia, em caso de descumprimento.
O servidor Francisco Bezerra acionou a Justiça alegando ato omissivo da presidência do TCE. Bezerra, servidor do órgão há mais de 38 anos, diz que pleiteou o abono permanência estabelecido na Constituição Brasileira por meio de processo administrativo, mas não obteve resposta. Assim, pediu a implementação do abono até o julgamento final do processo, momento em que espera que seja concedido o pedido em definitivo.
Para o desembargador Estácio Luiz Gama de Lima, relator do processo, o argumento de constitucionalidade do pedido de Bezerra é legítimo. “Verifica-se que o Superior Tribunal de Justiça firmou seu entendimento no sentido de que tem direito subjetivo ao abono permanência instituído pela Emenda Constitucional 41/03, inclusive, incidindo nesse percentual o imposto de renda devido”.
O desembargador-relator entendeu que o fundamento do pedido estava concretizado, pois apesar de Bezerra ter direito ao abono, o servidor ainda não havia recebido por inércia do órgão, e isso seria suficiente para constatar a omissão do TCE, resultando em aparente afronta aos direitos do servidor.
“Dessa forma, no caso em análise, ainda que dentro de uma cognição rasa, percebo que o ato atacado, pelo menos a princípio, não se comunga com às prescrições encartadas pelo ordenamento jurídico, sobretudo porque a conduta do impetrado afronta princípios constitucionais”, avaliou o desembargador.

domingo, 7 de novembro de 2010

De Brasília ao Nordeste – Viajando no Forró

Não vai demorar muito para o compositor alagoano Geraldo Rebêlo, lançar o seu segundo trabalho cantando o nordeste brasileiro. Serão dez faixas, exaltando as belezas naturais de cada estado nordestino, onde serviu como Oficial do Exercito Brasileiro. De Brasília ao Nordeste, um verdadeiro forró pé de serra, pra se ouvir ou dançar agarradinho. Todas as músicas e letras, com exceção de Lagoas, parceria com Chico Elpídio, são de sua autoria:

Lagoas 

Ah! Se uma lagoa me abrigasse e desse espaço pró meu povo
Fazer suas festas de ano novo trazendo a menina que me amasse...
E se houvesse em seus olhos o sonho de terras distantes e sem lagoas
Eu lhe mostraria nas canoas toda a poesia que restasse...
Desse mundo que acaba nas ladeiras
Da cidade descrente da nova ilusão
Que haveria no rosto das pessoas
Se houvesse em todo lugar lagoas...

Lagoas já tenho em minha vida nascida de tantos dissabores
Sereno reflexo minhas dores da lua sobre as águas diluídas
Havendo lagoas tenho peixes e mangues e muitos caranguejos
E posso morar no meu trapiche sonhando e revivendo os meus desejos
Nesse mundo que esbarra nas porteiras
A cidade silente da nova ilusão
Que haveria no porto das canoas
Se houvesse em cada desamor lagoas.
Se houvesse em todo lugar lagoas...

Chico Elpídio e Geraldo Rebêlo


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Chico Buarque


Na noite desta quinta-feira, dia quatro de novembro, o compositor e escritor Chico Buarque de Holanda, recebeu o Prêmio Jabuti, o mais tradicional da literatura brasileira. Seu livro Leite Derramado lançado pela Companhia das Letras, ficou em segundo lugar na categoria Romance Jabuti – a primeira colocação foi para "Se eu Fechar os Olhos" do escritor Edney Silvestre. Luis Fernando Veríssimo, colaborador do Estado de São Paulo, com "Os Espiões", lançado pela Objetiva, foi o terceiro colocado.
Chico Buarque já havia vencido em outras edições do Jabuti, ganhando o prêmio máximo: a primeira em 1992 , por Estorvo e depois em 2004, por Budapeste.





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Frases Impertinentes

"O amor é finalmente um embaraço de pernas,
Uma união de barrigas,
Um breve temor de artérias.
Uma confusão de bocas,
Uma batalha de veias,
Um reboliço de ancas,
Quem diz outra coisa, é besta.!"
Gregório de Matos - poeta brasileiro.


"A loucura é algo raro em indivíduos - mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma."
Friedrich Nietzsche - do livro Além do bem e do Mal.


"Tudo em ti foi naufrágio."
Pablo Neruda, in "A Canção Desesperada"


"Meu tempo é quando"
Vinícius de Moraes - poeta brasileiro.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Paulo Renault - parceiro e amigo

Paulo Renault Braga Villas Boas, boêmio, poeta e compositor, nasceu em Maceió, no dia 29 de outubro de 1958. Ainda jovem, casou-se com Márcia Maria Lima, com quem teve dois filhos: Rodrigo e Sérgio Lima Villas Boas. Além de apaixonado por música, foi militante político, influência herdada do avô, Júlio de Almeida Braga, um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro - PVB, em Alagoas. 
Conheci Paulo em minha residência, lá compareceu querendo discutir algumas idéias sobre a cultura musical alagoana, que se encontrava à época estagnada, não existindo referência alguma, ainda vivíamos das lembranças de Reinaldo Costa, autor de Rescordação e do não menos famoso Juvenal Lopes, autor de pérolas como: Maceió, Pisei no Liro e Entre a Cidade e o Sertão, parceria com Marcondes Costa, gravadas por Noite Ilustrada, Marinês e Grupo Terra, respectivamente. 
A conversa foi tão promissora, que nos dirigimos ao Bar do Jaqueira, antigo reduto de boêmios, poetas e músicos, situado ao lado do Mercado Público, e como de costume, nos sentamos e pedimos uma *meiota (metade de uma garrafa de cachaça), limão, laranja e continuamos a digerir a idéia: "reunir os compositores jovens com o propósito de interagir, entretanto, não conseguimos levar adiante nosso propósito". Coincidentemente, nesse período, estavam abertas as inscrições para o II Festival Universitário, promovido pelo DCE/UFAL, oportunidade impar, para nós jovens compositores, aprendermos com os já consagrados veteranos vencedores de festivais: César Rodrigues, Marcondes Costa e Guido Uchôa, o caminho e principalmente os atalhos para galgar situações idênticas. 
Motivado pela efervescência do Festival, tive a feliz idéia de convidar os músicos que tocavam comigo na noite, e outros que conheci: Jorge Quintela, flautista, Cláudio Carlos, baterista e finalmente, Zailton Sarmento, poli instrumentista, tocava: viola, cavaquinho e teclado, para participarem de um novo grupo musical, com propostas próprias e inéditas. Após o convites, apresentei a idéia, logo aprovada por todos, faltando só o nome da banda, posteriormente batizada de Grupo Terra, na qual Paulo Renault teve participação ativa ao meu lado, escrevendo letras com temáticas políticas e nordestinas, questionando sempre a condição social do ser humano, seus desejos e suas fraquezas. 
Durante a existência do Terra, montamos vários shows: Terra à Vista, Gente das Brenhas, Cidade Antiga e por último, Maceió, Cidade Aberta, espetáculo apresentado repetidas vezes no Arena e no Deodoro, montado com vinte e cinco poemas de Paulo, com músicas minhas, em parceria com Geraldo Rebêlo, com exceção de Maceió de autoria de Juvenal Lopes. 
A beleza poética dos poemas de Renault do show Maceió, Cidade Aberta, encontra-se espelhada em livro publicado pela Editora Catavento em 2004, brilhantemente ilustrado por Mário Aloísio, arquiteto e também amigo do poeta.
Antes de seu prematuro falecimento, aos quarenta e cinco anos, dentre tantas composições que fizemos, gravei no meu último CD Dilúvio, uma de nossas parcerias, a música Evolução. 
Paulo, se foi, em mim fica a saudade e principalmente a lembrança do parceiro, amigo e irmão.

Evolução

Lá vem Sabino, vem Lampião
Chapéu de couro, fuzil na mão
Oi quem vem lá, oh! seu menino,
Chapéu de couro, é Virgulino, é Lampião
Galho de mandacaru, ceguei, ceguei
Cego de mandacaru, cheguei, cheguei
Se cego vago no mundo por onde andei
Cada toada que faço, cada cabra que mato
Espinho onde eu te achei ? Espinho onde ?
Sinto o vento vejo a serra
Cobras e escorpiões
Carcará maldito sonha
O sonho das perdições
Mas o cão não se comove
E vê as suas visões
E eu só sonho com Maria
Viver em paz nos sertões
Vem cá cabocla me faz um chamego
Quero esquecer: satanás escorpiões
Vem cá cabocla me faz um dengo
Quero esquecer: satanás escorpiões
E me tire essas visões
Quando a água surgir quero estar sem polícia sem Lampião
Quero estar livre num sonho, capoeira é do mato
Se eu lhe desacato, eu sou do sertão
Sou do sertão, sou do sertão
Eu sou do sertão
Se lhe desacato, sou Lampião, sou Lampião
Valente é o menino, sangrento é o sertão
É Lamp é Lamp é Lamp é Lamp
É Lamp é Lampião
É Lamp é Lamp é Lamp
É Lamp é Lampião
Seu nome é Virgulino
Apelido Lampião

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Novidade da boa

Chico Elpídio
Às vezes a vida nos prega uma peça e ficamos de cabeça pra baixo, dessa vez ocorreu o contrário, me levou ao céu. Através do inesquecível amigo e parceiro Paulo Renault, conheci Pablo de Carvalho, residente no bairro da Serraria, bem pertinho da minha antiga moradia, onde hoje ainda moram os meus filhos: Luana, Brunno e Rafael. Quis o destino, que Paulo Renault em uma de suas noites de boemia, me convidasse para acompanhá-lo à casa de Pablo, jovem escritor, cujo livro IULANA tinha prefaciado. Passamos a noite tomando umas e outras, ouvindo às poesias de Renault, intercalada por sambas e boleros; após esse contato, iniciei com Pablo uma parceria, hoje com 19 músicas já concluídas. A boa nova inicia-se em novembro, com direção musical de Jiuliano Gomes, ao lado dos músicos: Everaldo Borges, Almir Medeiros, Théo Gomes, Zailton Sarmento, Fabinho, Felix Baygon, Van, Ronalsa, Carlinhos Bala, Tony Augusto e Ricardo Lopes, com participação especial da cantora Luciana Guimarães, daremos inicio a gravação de CD “CONTEMPORÂNEOS”, esperando que no início de 2011, tenhamos concluído e antes do carnaval, encontre-se a disposição daqueles que gostam de novidade.
CONTEMPORÂNEOS

Lá está a figura de meu pai
Que o samba fez chorar por sentir amor demais
E sacar que o tempo vai também me fazer sambar
E cair em pranto como anos atrás
Sem lição nem geração - sem nada mais 
Que o samba pra afogar o coração
Samba é vinho, é cruz, é pedra de amolar.
Sobe riso e desce choro, a vida sai.
No seu passo que é batuque, é ilusão, abre de mão!
Vai já, fere o peito na noitada e alto-lá.
A parada, a quebrada, a balada ao luar.
O farol vem e cai na tristeza calada
Que dá se a gente vê nego sambar - Sambar
No seu passo que é batuque é ilusão
Sem lição nem geração – sem nada mais
Samba e vinho, é cruz, é pedra de amolar.
Vai já, fere o peito na noitada e alto-lá.
A parada, a quebrada, a balada ao luar.
O farol vem e cai na tristeza calada
Que dá se a gente vê nêgo sambar. 
La ia la la...
CHICO Elpídio e PABLO Tenório

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um livro pra Vinicius de Moraes

Eucanaã Ferraz, poeta e professor de literatura da UFRJ, apresenta discografia e bibliografia do grande poeta Vinicius e das parcerias com Tom Jobim, com quem criou alguns clássicos da bossa-nova, e com Baden Powell, com quem criou os afro-sambas. Vinicius de Moraes (1913-80) é o caso típico do artista que, ao longo do tempo, foi sendo sobreposto à própria obra.
Fala-se muito do poeta, mas lê-se insuficientemente sua poesia; sabemos de cor alguns de seus versos antológicos, mas não raro estancamos ali, sem seguir adiante, ou, se avançamos com a atenção devida, nem sempre nos arriscamos em textos menos consagrados. A popularidade do compositor-cantor deve-se ainda à sua presença em shows e nos meios de comunicação de massa, sobretudo nos anos 70. À época, quando a chamada MPB esteve intimamente associada ao movimento estudantil alvos permanentes da vigilância dos órgãos de repressão da ditadura militar. Vinicius, ao lado de seu parceiro Toquinho, lotava os auditórios universitários. Boates, cervejarias e casas de espetáculo nacionais e internacionais também faziam parte do circuito da dupla, que instaurava, em meio às sombras daqueles tempos, um rastro de liberdade e alegria por onde passasse.
Este breve livro tenta uma visão equilibrada, focalizando a palavra do poeta nos poemas (capítulo 1) e nas canções (capítulo 2). No primeiro caso, abrindo mão de quadros amplos, fases, influências, vão-se examinar determinadas constantes e/ou variantes temáticas e formais, privilegiando-se a leitura de poemas. No segundo, a atenção estará voltada para determinados traços caracterizadores do cancioneiro de Vinicius, com destaque para os momentos que solidificaram sua prática composicional.
Livro – Vinicius de Moraes
Autor – Eucanaã Ferraz
Editora – Publifolha, 114 páginas, R$ 18,90
Onde comprar – nas principais livrarias, pelo telefone 0800 – 140090.
chicoelpidio@hotmail.com 

CANTORES DE RUA

É mágico, surpreendente o sentimento desses cantores de rua, a força da voz negra é de arrepiar. Maravilhoso, fone no ouvido e curtam "STAND BY ME"
video

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quem sou eu ?

Nesta altura da vida já não sei mais quem sou, vejam só que dilema!!!
Na ficha da loja sou cliente, no restaurante freguês, quando alugo uma casa inquilino, na condução passageiro, nos correios remetente, no supermercado consumidor.
Para a Receita Federal contribuinte, se vendo algo importado contrabandista. Se revendo algo, sou muambeiro, se o carnê tá com o prazo vencido inadimplente, se não pago imposto sonegador.
Para votar eleitor, mas em comícios massa , em viagens turista , na rua caminhando pedestre se sou atropelado acidentado, no hospital paciente.
Nos jornais viro vítima, se compro um livro leitor, se ouço rádio ouvinte.
Para o Ibope espectador para apresentador de televisão telespectador, no campo de futebol torcedor, agora, já virei galera. 
Se trabalho na ANATEL, sou colaborador e, quando morrer, uns dirão, finado, outros, defunto, ou, extinto, para o povão, presunto. Em certos círculos espiritualistas serei desencarnado, evangélicos dirão que fui, arrebatado.
E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL !!!
E pensar que um dia já fui mais EU. 
Autor - Luiz Fernando Veríssimo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cultura Brasileira - Dorival Caymmi

Dorival Caymmi deixou como legado um conjunto de canções intensamente original, diferente da obra de qualquer outro artista nacional ou estrangeiro, muitas dessas canções são clássicos que pertencem à memória coletiva e que ajudaram a construir a identidade brasileira. Soam tão familiares que parecem ter existido “desde sempre”.
O livro “Dorival Caymmi”, volume da série “Folha Explica” , examina de forma dinâmica os sambas “sacudidos”, as canções praieiras e os sambas-canção de Caymmi, além de relacionar a obra do compositor com questões decisivas da cultura brasileira, com a experiência histórica do Brasil, com a época moderna e com a tradição da música popular brasileira. O autor do livro é Francisco Bosco, ensaísta, letrista e escritor, colunista das revistas “Argumento” e “Cult”. Bosco diz que o livro também tenta revelar os procedimentos, as características, as inflexões e a arte do cancionista. O objetivo, segundo Bosco, é “ajudar a esclarecer e, em o fazendo, reafirmar a singularidade desse conjunto precioso de canções”. O volume inclui discografia e cronologia do grande mestre da canção brasileira.
Editora – Publifolha, 120 páginas, R$ 18,90, a venda nas principais livrarias ou pelo telefone 0800 140090, além do site da Publifolha.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mário Benedetti - Da gente que eu gosto

Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto da gente que possui sentido de justiça.
Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão. Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
“A estes chamo de amigos.”

sexta-feira, 12 de março de 2010

Não deixe o amor passar

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente, o amor.
Por isso, preste atenção nos sinais – não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.
Carlos Drummond de Andrade

Hora de Despertar: nossa música, nossos intérpretes.

Há alguns anos, quando os artistas alagoanos peregrinavam nas rádios pedindo aos programadores a inclusão de seus discos na programação, a resposta era inevitável: “o som não é muito bom, não tem qualidade.” Essa história começou a ser mudada com o advento do cd player, substituindo o vinil, aí então os incentivadores: Amarivaldo, Rui Agostinho e Givaldo Kleber, todos da Rádio Educativa FM, acreditando no potencial desses artistas, começaram por conta própria a inserir na programação a prata da casa, procedimento que ainda permanece. Seguindo a mesma linha da Educativa FM, as emissoras: Web rádio Maceió, Mar Azul e Rádio Serraria FM, abrem espaços em sua programação para que artistas desconhecidos tenham oportunidade de divulgar suas criações e ao vivo reivindicar patrocínio para realização de eventos; são procedimentos como estes, que emissoras do porte da Pajuçara FM, Gazeta de Alagoas, Rádio Jornal e outras, deveriam seguir para o fortalecimento da cultura alagoana.
Ultrapassado esse primeiro obstáculo, mesmo estando afastado do meio musical alagoano, tenho adquirido e ouvido os trabalhos aqui produzidos, entretanto, observei que alguns dos nossos artistas ao gravarem ou ao realizarem shows, incluem apenas algumas músicas inéditas.
Ora, o que esperam ao regravarem músicas já consagradas de compositores como Chico Buarque, Tom Jobim ou Djavan? Reconhecimento, um comentário elogioso, ou quem sabe, uma crítica mais contundente de um observador mais atento? Esquecem nossos interpretes, que esse procedimento é nefasto ao atual movimento musical alagoano e em nada contribui para o seu crescimento, basta ouvir os CDs de: Junior Almeida, Macleim, Eliezer Setton, Ibys Maceió, Telma Soares, Antônio do Carmo, Grupo Labareda do Forro, Banda Sifão, Grupo Terra e tantos outros, que só gravam músicas inéditas, sejam de sua autoria ou de outros compositores, é esse o caminho para sair da mesmice.
O que sempre estamos presenciando e cansados de ouvir são os convites formulados pelos restaurantes e bares, apresentando shows com artistas locais Interpretando músicas já consagradas.
Será que não está na hora de termos identidade própria e dar ênfase a apresentações mais corajosas? Nossos artistas apresentando músicas inéditas, dando interpretações próprias, mostrando a sua cara e do que é capaz.
É pagar pra ver, eu particularmente acredito nos nossos intérpretes, só falta coragem, talento tem de sobra.

Cultura Brasileira - Dorival Caymmi

Dorival Caymmi deixou como legado um conjunto de canções intensamente original, diferente da obra de qualquer outro artista nacional ou estrangeiro, muitas dessas canções são clássicos que pertencem à memória coletiva e que ajudaram a construir a identidade brasileira. Soam tão familiares que parecem ter existido “desde sempre”.
O livro “Dorival Caymmi”, volume da série “Folha Explica” , examina de forma dinâmica os sambas “sacudidos”, as canções praieiras e os sambas-canção de Caymmi, além de relacionar a obra do compositor com questões decisivas da cultura brasileira, com a experiência histórica do Brasil, com a época moderna e com a tradição da música popular brasileira. O autor do livro é Francisco Bosco, ensaísta, letrista e escritor, colunista das revistas “Argumento” e “Cult”. Bosco diz que o livro também tenta revelar os procedimentos, as características, as inflexões e a arte do cancionista. O objetivo, segundo Bosco, é “ajudar a esclarecer e, em o fazendo, reafirmar a singularidade desse conjunto precioso de canções”. O volume inclui discografia e cronologia do grande mestre da canção brasileira.