domingo, 29 de junho de 2014

DÁ UMA SAUDADE!!!

GRUPO MUSICAL - OS DIAMANTES


Em pé: Índio (sax) - Tony  (baterista) - Zé Paulo (contra baixo - Téogenes Rocha (crooner) - Edson (empresário) - Chico Elpídio (guitarra) Zailton Sarmento (teclado)
Local - Ginásio do SESI/AL

quinta-feira, 26 de junho de 2014

FRAGMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO

PRIMEIRO LP -  Segunda Parte

Por outro lado, o resultado do amadurecimento do grupo, que já havia participado de outros trabalhos musicais decorrentes da participação de festivais, promovidos pelas Rádios Difusora e Gazeta, resultou em 1978, na gravação do primeiro e único LP lançado a nível nacional pela Warner Bandeirantes do Nordeste. Desse disco, duas faixas fizeram parte do LP - O SOM DA TERRA e três foram selecionadas para a trilha sonora de duas novelas da Rede Bandeirantes, respectivamente:
O SOM DA TERRA, em 1981:
Morada Sertaneja (Chico Elpídio, Marcondes Costa, Paulo Renault e Eliezer Setton);
Noite Sertaneja (Marcondes Costa).

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA, em 1980:Maria Fumaça - Chico Elpidio, Paulo Renault e Eliezer Setton; Noite Sertaneja - Marcondes Costa. 





ROSA BAIANA, em 1981:
Literatura de Cordel (Marcondes Costa e José Cavalcante).

Gazeta de Alagoas, 28/09/1980

“Após cinco anos de trabalho, resumido em várias horas de ensaio e quatro shows, o Grupo Terra, integrado por músicos alagoanos, consegui gravar seu primeiro LP. A princípio pensou-se numa produção independente, com o disco gravado no Estúdio Clave, em Recife e editado com uma pequena tiragem. O fato é que o som do grupo despertou o interesse da sigla Bandeirantes, e não foi necessário mais que um convite, para o Terra aceitar a gravação de um LP por esta, com a distribuição da WEA. Um fato inédito. Quase sem sair do estado, salvo algumas viagens ao Recife, o grupo está com o disco na praça, e com distribuição em todo o país.”



FRAGMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO - GRUPO TERRA

Primeira Parte

A ideia de criar o Grupo Terra surgiu em 1975, e teve como objetivo realizar pesquisas voltadas para o regionalismo, lutar pela permanência das culturas populares, historicamente soterradas pelas narrativas das elites, e principalmente valorizar os poetas e compositores alagoanos, que tinham como temas: o povo sofrido do campo, as questões políticas, a preservação da nossa história, através da manutenção dos inúmeros prédios antigos, que estavam sendo demolidos, os monumentos, que se encontravam em total abandono e por fim, criar uma identidade cultural, através de uma visão prática a partir do localismo das micronarrativas musicais.
O Grupo Terra apresentou-se pela primeira vez em 1976, no altar do Convento de São Francisco, durante o III Festival de Verão, realizado em Marechal Deodoro. Devido à grande aceitação do público, o entusiasmo e a emoção tomou conta de todos, ficando já, naquele instante, definida a data e o local do próximo ensaio. O tema escolhido para a primeira apresentação: uma reflexão temática sobre o nosso rico folclore, as belezas lacustres e marinhas de Alagoas.
TERRA Á VISTA, foi o nome escolhido para o show, que aconteceu em setembro do mesmo ano, no Sérgio Cardoso, mais conhecido como Teatro de Arena, ficando em cartaz em palcos diversos, até meados de junho de 1978.
Primeiro show do Grupo Terra realizado no altar do Convento de São Francisco em Mal Deodoro.









A música escolhida para abertura, foi de autoria de Marcus Vagareza,

MINHA TERRA

Um pedacinho de terra
Cá do norte do Brasil
Do reisado e do fandango
Da chegança e pastoril
Guerreiro chegou a hora de cantar tua origem, do vermelho e do azul,
Desse céu e desse mar, de Manguaba e Mundau
Sol se pondo na avenida, muito amor no coração,
Muita fé muita coragem pra seguir na procissão,
Minha terra tem coqueiros onde o vento faz canção.”

O TERRA durante a sua existência, contou com quatorze componentes: Chico Elpídio, Zailton Samento, Messias Gancho, Pacuã, Zé Barros, Cláudio Carlos, Beto Batera, Elias, Jorge Quintella, Paulinho, Edson Bezerra, Marcus Vagareza, Eliezer Setton e César Rodrigues, quase todos advindos de bandas musicais da época.

Devido à enorme aceitação de todos que assistiram ao primeiro show, algumas personagens se agregaram à proposta do Grupo Terra, entre esses:
Cavalcante Barros, advogado e jornalista, de grande importância para o grupo, ajudava na divulgação dos eventos e as vezes assumia a posição de empresário; o TERRA incluiu em seu repertório duas músicas de sua autoria, uma delas, Penedo, apresentada pela primeira vez, no palco do Cine São Francisco, em Penedo, no show de encerramento do II Festival de Cinema;
Joaquim Alves, professor universitário e jornalista, era um grande incentivador, sempre divulgou as atividades do grupo e por várias vezes acompanhou as apresentações do Terra pelo interior do estado;
Marcondes Costa, psiquiatra, letrista e poeta, dentre muitas atividades, foi um dos integrantes da vida cultural da cidade se Maceió durante os anos 60, tendo participado de festivais de música daquela época. Marcondes compôs com Chico Elpídio, várias músicas para o Terra, e tinha também como parceiro, Juvenal Lopes, compositor alagoano remanescente de rádio da Difusora de Alagoas durante os anos 50, com várias músicas gravadas por grandes artistas da época.
Marcondes é autor do xote ACORDO ÁS QUATRO, que posteriormente virou hino do Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, na voz de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião;
Paulo Renault Braga Villa Boas, jovem intelectual com origem no movimento estudantil, advindo daí as suas letras politizadas e engajadas no momento político, mais adiante, Beto Batera e Eliezer Setton, um capítulo à parte, que entraria no lugar de Marcus Vagareza.
Suetônio Sarmento – oriundo do bairro do Prado, marcou época ao convidar jovens compositores, para juntos trocarem ideias e apresentarem suas composições. Sua proposta era de unir artistas de diferentes propostas musicais, sendo bastante exigente com relação a mensagem contida, era defensor das letras de cunho político social.
Justamente essa mistura de músicos de baile e de intelectuais, deram ao Grupo Terra uma identidade híbrida, no sentido de uma percepção, a qual, diferenciada, possibilitaria uma curiosa construção artístico-cultural na apreensão do imaginário alagoano, uma vez que, ao apuro técnico dos músicos se somavam a percepção do clima político daqueles anos de fins da ditadura militar, pois ao redor do grupo, gravitavam alguns intelectuais de diferentes trajetórias.



FRAMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO - GRUPO TERRA

OS FESTIVAIS DE MÚSICA - Quarta Parte

3. III Festival Universitário de Música (DCE-UFAL)

Realizado em 1983, produzido pelo DCE-UFAL, o III FUM foi um evento que marcou os festivais de músicas em Alagoas.
Vindo mais estruturados de outros festivais, os integrantes do Terra estando atentos aos movimentos populares, que naqueles anos de abertura política se colocavam em oposição à ditadura, resolveu investir em músicas em forma de um hino revolucionário, que apresentasse uma linha de radicalidade do protesto político, ou seja, um reflexo dos movimentos sociais em torno da bandeira da Anistia dos presos políticos, com esse intuito, duas músicas foram cuidadosamente elaboradas: Canto Chão e Raízes.
Canto do Chão, com letra de Edson Bezerra e musicada por Chico Elpídio e César Rodrigues, foi muito trabalhosa, devido a ideia inicial de compor uma música com ritmos variados e que de cara atraísse à atenção não só dos jurados, mas também de quem a ouvisse pela primeira vez, entretanto, existia um obstáculo a ser vencido antes de participar do festival: se adequar às condições da censura, e foi o que aconteceu.
Após o envio das letras para a devida análise da DPF, cinco músicas foram censuradas, sendo necessário negociações dos autores para a liberação das letras das seguintes músicas:

Canto do Chão – Chico Elpidio, César Rodrigues e Edson Bezerra;
Raízes – Chico Elpídio e Eliezer Setton;
Matança do Boi – Antônio Carlos;
Sem remédio e Sem Doutor – Macléim Damaceno;
Renegados – José Gomes Brandão.

Ato contínuo, Edson Bezerra foi convocado para uma audiência no departamento de Polícia Federal/AL, para explicar a letra e modificar algumas frases que, segundo o sensor, eram impróprias naquele momento:

“Passado o susto, quando lá cheguei, fui surpreendido por um senhor gentil, de nome Arivaldo. Logo após me convidar para sentar, o senhor retirou da gaveta minha letra e disse: Ô rapaz, eu queria lhe propor algumas mudanças nesta letra, afinal ela está muito bonita, mas tem umas passagens que não vai dá pra passar. Por exemplo, por que em vez de cor vermelha, você não substitui por cor alegre e em vez de batalhão, outra palavra? E também esta coisa de guerrilha, não dá de jeito algum. Vá para casa, dê uma olhada no que você acha que pode mudar e depois volte,” disse Edson Bezerra.

CANTO DO CHÃO (1º lugar)

Terra do sol, liberdade e ouro
Há de haver aqui, vamos desbravar.
Terra de sal, caminho de gente
Berço de manhãs, muita alegria ainda nascerá aqui.
Sempre é hora de plantar na terra,
O que o fruto traz, construir na luta.
A doce labuta de quebrar os muros
Cantar o mesmo canto, beber do mesmo fel.
Nas manhãs banhar o corpo a sol e sal,
Caminhar nas ruas sempre a libertar
O grito contido, o amor escondido,
Em corações e em gerações.

Trazer no corpo o cansaço
No peito as emoções,
De fazermos sempre um gesto forte em cada mão
Seremos raça e força que arrasta multidões
E olha que esse tempo vem,
De uma cor alegra (vermelha) cor do coração
Seremos um só povo um só mutirão
Teremos terra e trigo sorrisos e canções
E entre palmeiras, vilas e ruas,
Nossos corpo cansados irão repousar.
Latinamente ser, livremente estar
Brasileiramente amar, amar

E ouça lá companheiro e amigo, não espera vem,
Já se toca o sino, já se entoam tantos hinos.
Viva a grande pátria, ò doce mãe gentil.
Terra de sol, terra de sal, terra do mar de anil.
Latinamente ser, livremente está, brasileiramente.







GRUPO TERRA

Foto histórica do Grupo Terra ensaiando.
Presentes além dos efetivos do Grupo, neste show tivemos a participação do nosso amigo Jiuliano Gomes e a estréia do mais novo integrante, Eliezer Setton, ainda magrinho.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

FRAGMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO

OS FESTIVAIS DE MÚSICA - Terceira Parte

1. II Festival do Compositor Alagoano
Realizado em 1978, produzido pelos radialistas Haroldo Miranda e Floracy Cavalcante, o Grupo obteria o primeiro lugar com a música Pássaro de Prata, composta por Carlos Moura e Edson Bezerra, a qual daria o nome ao LP do Festival - Pássaro de Prata; outras três músicas também defendidas pelo Terra, foram classificadas:
Preto Velho (Laérson Luiz);
Acordo às quatro (Marcondes Costa);
Agora Cante Cantador (Chico Elpidio e Paulo Renault).
Esse disco foi gravado nos estúdios da própria RDA, em quatro canais, sendo responsável pelo playback e mixagem, o talentoso Francisco de Magalhães Junior.

Pássaro de Prata

Tenho um pássaro de prata numa gaiola de metal
Quero um dia que ele voe por toda América do Sul
O seu canto é uma balada clamando por super-heróis
Esperando a madrugada já é hora de nascer
Grito por todos os homens de toda a América do Sul
De Tiradentes a Bolívar que de novo vão nascer
Grite eu quero ver toda a gente todo o povo se irmanar
Sem sangue com a glória nas mãos
Crianças, mulheres, homens, senhoras
Cantigas de roda, canção de ninar.
Fazendo da história um verso
Invertendo o processo e surgir
O nascer, o viver, o chorar, o correr, o sorrir
Todos não apenas alguns.

2. I Festival Alagoano da Canção Nordestina
Realizado em 1979, cujas músicas classificadas foram gravadas no LP TERRA DA GENTE. O destaque desse festival, além das músicas, foi o jurado cuidadosamente escolhido pelo radialista Edécio Lopes: Guio de Moraes - maestro, Carmélia Alves - cantora, Onildo Almeida – compositor, Claudionor Germano - cantor, Aldemar Paiva - jornalista, Raimundo Campos - pesquisador, Romildo Freitas - radialista, Claudemir Araújo - jornalista e Jovelino Lima - maestro.

O TERRA classificaria nesse festival quatro músicas:
Desesperança (Eliezer Setton);
Chão Quente (Marcondes Costa e Juvenal Lopes);
Festa na Roça (Marcus Antônio M de Barros);
Meu Sertão (José Cavalcante dos Reis e Marcondes Costa).
O disco nominado TERRA DA GENTE, foi produzido pela Rádio Gazeta de Alagoas e gravado na CACTUS em Recife, tendo a coordenação artística do maestro Ivanildo Rafael, direção e produção de Claudionor Germano com direção geral de Edécio Lopes.

As músicas citadas podem ser ouvidas e para dowload, no blog chicoelpidio.blogspot.com