terça-feira, 27 de novembro de 2007

MR. BEAN É VASCAÍNO

“Final do Campeonato Brasileiro de 1997, um domingo qualquer do mês de dezembro. Eu, tenso, a assistir Vasco X Palmeiras pela TV. Um empate bastava ao Vasco para o seu terceiro título. Socorro, minha mulher, sampaulina roxa, alheia ao meu drama (com certeza se roendo de inveja) estava na cozinha. Paulinho, meu penúltimo filho (na escala etária), ainda não se entusiasmava com futebol, embora já desse seus primeiros chutes, do “alto” de seus dois aninhos de idade. No quarto, dormia minha caçula Natália, com seus dois meses de vida incompletos.
E eu ali, tenso, jogo 0x0. O Animal era nosso (todos sabem de quem se trata: Edmundo). Havia “comido” a bola durante o campeonato, tendo batido o recorde, até então, de 29 gols, artilheiro disparado. Mas, nem assim o Vasco marcava ... nem o Palmeiras.
Final do jogo, 0x0, Vasco Campeão Brasileiro!!! Resolvi extravasar a tensão, soltando alguns rojões (aqueles foguetes de três tiros) no quintal, esquecendo que minha caçula dormia no quarto próximo (àquela altura, nem iria me lembrar). Peguei o primeiro rojão, acendi-o e da beira da varanda apontei para o alto. Enquanto aguardava o primeiro estampido arremessando os três tiros, olhei para o rojão e desconfiei que o pegara invertido... em suma, apontava a saída dele em minha direção (o maldito rojão não tinha cores diferenciando o punho, onde eu deveria pegar, e a saída dele). Foi só o tempo de jogá-lo no quintal, livrando-me do acidente. Ledo engano: o maldito caiu no chão, no meio do quintal, apontado pra mim!!! E soltou os três tiros em minha direção!!! A minha sorte é que eles pegaram na parede da varanda ao meu lado, mas explodiram com muito mais barulho. A Natália acordou chorando e minha mulher correu para acudi-la sem antes passar pela varanda me chingando de irresponsável pra baixo (que aqui não ouso citar). E eu, ali, assustado, não sabia se ria ou chorava (de rir, é claro). Só me passou pela mente a figura inusitada do humorista inglês, Mr. Bean, e fui me refazer numa generosa dose de whisky, para aliviar a tensão.”
O autor do texto nosso Marcelo Botinha, presidente de honra do Cambonense, foi convidado para nos contar algum fato pitoresco ocorrido durante sua permanência na Caserna, ou em sua residência, não se fez de rogado e nos presenteou com Mr. Bean é vascaíno.


Obrigadoooooo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

TALENTO ALAGOANO

BELEZA DELICADEZA - Wilma Araújo marwilma@uol.com.br
No excelente CD de Wilma, além da arte gráfica, dos arranjos, dos músicos do mais alto nivel dirigidos pelo maestro Almir Medeiros, há mais um ponto a ser destacado: o repertório. A proposta de Wilma em abrir espaço para compositores alagoanos é relevante e de fundamental importância, pois, além de serem valorizados e reconhecidos, êles têm a satisfação de ouvirem as suas composições por uma das mais afinadas vozes de nosso quadro musical. Basta observar que, das treze músicas que compõem o CD, nove são alagoanas! parabéns Wilma! 

DAMA DA NOITE - Leureny barbosa
Sob os cuidados do talentoso Felix Baygon capitaneando uma equipe de músicos alagoanos de primeira linha, o CD Dama da Noite torna-se indispensável para aqueles que valorizam a boa música. A diva "Leu", dá um toque pessoal em duas páginas bastante conhecidas - Favela e Tango de Nancy, dando-lhes uma interpretação definitiva. Duas outras observações necessárias: a inclusão de sete músicas de compositores alagoanos e participação dos ilustres convidados: Duofel, Carlos Bala, João Lyra, alagoanos que brilham no eixo Rio - São Paulo, além de Leila Pinheiro e Cristovão Bastos. "Leu", o bom gosto, os compositores alagoanos e os amantes da boa música agradecem.

VENTOS DO NORDESTE - Eliezer Settn eliezersetton@yahoo.com
Com longo tempo de estrada e público cativado por toda Maceió, o cantor e compositor Eliezer Setton, no seu "Ventos do Nordeste"- terceiro CD - viaja por harmonias bem elaboradas, que previlegiam só ritmos nordestinos, recheados por letras de profundo lirismo. 

DE BRASÍLIA AO NORDESTE - VIAJANDO NO FORRO - Geraldo Rebêlo 
geraldo_erico@uol.com.br
Certas pessoas vivem os desafios da vida sem perder a sensibilidade e principalmente a capacidade de observar o que acontece ao seu redor. Registrar as imagens do cotidiano com olhar de lince, assim é Geraldo Rebêlo, nascido no Cambona, integrante do Exército Brasileiro e um grande compositor, um dos meus parceiros prediletos. Tendo que exercer sua profissão de militar em vários estados, Rebêlo aproveitou suas viagens para compor e homenagear Brasília e os estados do Nordeste. Daí a idéia de gravar o CD - De Brasília ao Nordeste - Viajando no Forró. Excelente. Quem é amante de um bom forró pé-de-serra com certeza viajará nas dez faixas que compõem o CD, basta acessar grupolabaredadeforro.calabashmusic.com

sábado, 8 de setembro de 2007

O elefantinho

Aos domingos, no final da tarde, os sinos da igreja repicavam convocando os fiéis para a missa, celebrada no sotaque germânico de frei Caetano. Arranchados à porta do templo, de cuias na mão, um punhado de mendigos à espera de misericórdia, e às famílias que aos poucos iam chegando, pediam esmolas em nome de Deus. 
Terminado o culto, a meninada descia para a praça e, à vontade, numa euforia incansável, brincava de pega-pega contornando o “Cuscuz do Major”. A fonte luminosa, ao som de música clássica, jorrava água numa coreografia sincronizada, lembrando um balé. Os pombos pontilhavam o chão do logradouro em busca do alimento, e em cíclicas revoadas retornavam para o alto da igreja, lá onde moram os sinos. 
No centro da praça, impávida, a estátua do homem que fez história, e que devido aos seus feitos, ficou conhecido como “O Marechal de Ferro”.
Comendo pipocas ao lado do garoto Decinho, Seu Elpídio, com habitual paciência, explicava ao filho atento a importância do herói reverenciado. “Floriano Peixoto, dizia o pai de cabeleira grisalha, foi quem consolidou a República no Brasil”.Alagoano de Ipioca”. “Motivo de orgulho para todos nós”, concluía. 
O local atraía vendedores ambulantes que ofereciam suas variadas guloseimas. Picolé, rolete, confeitos e para abrandar a insaciável sede, o irresistível caldo de cana. Decinho, invariavelmente, comia bananolas. Tamanha a sua predileção por esse tipo de doce, que lhe valeu o apelido de “Decinho Bananola”. 
Certo dia, numa dessas brincadeiras no parque, seu amigo Horacinho, conhecido pela alcunha de “peralta”, o deixou fascinado quando lhe assegurou criar no quintal de casa um filhote de elefante que seu pai, que era marchante, havia adquirido de um fazendeiro. 
Aquela afirmação lhe tirou o sono, sobretudo quando o amigo lhe convidou para brincar com o animal. Para tanto, impôs três condições: pagamento de um valor simbólico em dinheiro para ajudar nas despesas com a ração, sigilo absoluto e que no dia previamente marcado, fosse até lá sozinho para não assustar o bichinho de tromba. 
Devorado pela ansiedade da espera que o fazia roer as unhas, foi difícil manter-se calado, mas agüentou firme temendo quebrar o acordo.Afinal, chegou o grande dia. Acordou cedo e saiu tão apressado que nem escovou os dentes. 
Depois de violar o cofrinho e pegar o dinheirinho que havia economizado, partiu desenfreado à casa do amigo para realizar o sonho. Ao vê-lo bater à porta, saltitante, Peralta, que já o esperava, apressou-se em lhe cortar o barato, esfriando a alegria que Decinho trazia estampada no rosto, dizendo-lhe lacônico: “Não é possível, Bananola”, meu pai vendeu o bichinho ao dono do circo. Lívido com o impacto da notícia, foi dominado por um acesso de raiva que o fez atirar sem direção definida, as moedas que trazia na algibeira. Em seguida, cobriu o rosto com as mãos trêmulas e desatou um choro profuso, vertendo lágrimas aos borbotões sob o olhar triunfante e o riso sarcástico do amigo zombeteiro que continuava, sem remorsos, a torturá-lo: “os homens do circo vieram pegar ele ontem. 
Mas não tem nada não; ainda tem um jeito de você conhecer ele”. E esclareceu que o circo, para onde fora levado o elefantinho, fazia uma curta temporada na cidade e que, com apenas um quilo de jornal, ganhava-se uma entrada para o camarote. 
Peralta, além de mentiroso era acostumado a praticar toda espécie de travessuras. Pular os muros dos quintais alheios para furtar frutas, era uma delas. Ao contrário de Bananola, menino ingênuo e compenetrado, cujo passatempo preferido era realizar cirurgias em catengas, rasgando-lhes o ventre com uma gilete, convicto de que no futuro seria médico. 
Desejando abrandar a angústia que lhe corroia o peito, decidiu ir olhar o elefantinho no picadeiro onde, segundo Peralta, o animal ia dar espetáculo. Mas uma coisa instigou a curiosidade de Bananola que não se conteve e, antes de ir embora, perguntou: “Horacinho, para que o circo quer tanto jornal?” 
Era o que Peralta esperava para prolongar o engodo: “É para limpar o cu do elefante, otário”. 
E às gargalhadas fechou a janela, deixando Bananola só e ludibriado, que se acocorou na calçada e voltou a chorar, sentindo vergonha do ridículo de mais uma galhofa. 
Desde então, passou a ser alvo de constantes pilhérias. Todos, ao vê-lo, caçoavam perguntando-lhe se ainda queria ver o elefantinho. 
Visivelmente indefeso diante de tanta mangação, limitava-se a fechar a cara ligeiramente dentuça e de óculos, como se nela crescesse uma sisuda tromba. 

O Autor Adelmo Marques Luz, é cambonense. Nascido no Cambona, filho de Manoel e Helena Marques Luz, durante sua adolescência, teve em sua companhia, amigos inesquecíveis: Beto, Alder Flores, Nah, Vavá, Pinduca, Zé Maria etc, com quem aprontou poucas e boas, entre êles o amigo Bananola, que virou personagem de seu conto o Elefantinho. Edson Bezerra, o Bananola, hoje acima dos quarenta de idade, é um personagem bastante conhecido, não só no meio universitário, por ser professor de Sociologia e Antropologia, como também entre os artistas, compõe e canta, é o criador do famoso texto MANIFESTO SURURU.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Cambona, o bairro.


Situado entre a Praça dos Martírios e o bairro de Bom Parto, o Cambona era passagem obrigatória para quem desejasse se dirigir ao bairro de Bebedouro, que na década de 50 possuía o status -“bairro de elite”, visto que alí residiam às mais tradicionais famílias alagoanas. A Praça dos Martírios, principal área de lazer dos cambonenses, foi à época um dos recantos mais frequentados nos festejos momescos; além de servir para o Corso, que era que o desfile de carros de passeio, lotados de moças e rapazes, interagindo com o povo, na guerra de talco, serpentina e lança d'água, recebia os blocos carnavalescos mais famosos da época, tais como: Cavaleiro Negro, Mascara Preta e o inesquecível Bloco do Major Bonifácio da Silveira - As Caboclinhas, que fazia a rota Bebedouro - Praça dos Martírios. Bebedouro, hoje é visto como um bairro dormitório por não existir um comércio sustentável, entretanto, ainda se mantém vivo, graças à existência da Igreja do Bom Comselho, do Mercado Público Municipal, da Estação Ferroviária, do Colégio Bom Conselho e de duas Casas de Saúde: José Lopes e Ulisses Pernambucano.
Já a Praça Floriano Peixoto ou dos Martírios como é conhecida, era bastante arborizada e muito bem freqüentada, pois vivia outra realidade. Frontal a Rua do Comércio, circundada por prédios históricos: Rádio Difusora de Alagoas, hoje transformada em Museu Fundação Pierre Chalita, preservando a estrutura arquitetônica original; pela Caixa Econômica Federal, construída no terreno onde funcionou a primeira Faculdade de Economia da Alagoas, finalmente o Edifício do Conde e o majestoso Palácio Floriano Peixoto. Próximo ao Cambona, precisamente na Rua do Sol, situava-se o Grupo Escolar Fernandes Lima, onde a grande maioria dos cambonenses aprenderam as primeiras letras; já em direção ao Mercado Público, tinhamos duas vertentes, na primeira passávamos pelo Colégio São José, cuja diretora e proprietária Dona Laura Dantas e sua irmã, famosas pela ética e disciplina no mister de ensinar e na outra passávamos pelo Diocesano, mais conhecido como Colégio Marista, hoje ocupado pela Secretaria de Agricultura.
Também participavam dos ensinamentos aos cambonenses, as professoras (es): Salviana Gomes dos Santos, que teve como aluno o Mestre Deodato; Guiomar de Gouveia Bezerra; os professores Sebastião Granjeiro, Cajueiro e Coitinho Leite, este famoso pela palmatória usada para quem errasse a tabuada e pelo castigo do milho. Não esqueçendo o lado cultural, a grande mestra do piano Professora Georgina, que com maestria ensinou os primeiros acordes aos alunos: Marcelo Santos, nosso querido Botinha, sua irmã Mércia e ao Chico Elpídio. Outra fonte de prazer desfrutada por todos, era vivida no Clube do Trabalhador - SESI, onde eram disputados torneios de futebol, tendo como representante o Cambonense, primeiro e segundo quadros. Foi nesse habitat que os cambonenses foram criados, sentindo hoje muita saudade dos bons tempos vividos.
A convivência com os mais velhos, deixou para os mais novos, a marca do respeito e da decência, valores incontestáveis para um futuro promissor. O Cambona permanece vivo nos encontros realizados aos sábados e nas festas realizadas entre amigos, como por exemplo, o Pernil do Nah, sempre na última sexta feira do ano e principalmente no bate bola semanal, quando juntos renovamos a amizade e principalmente a vida.
Viva o Cambona e os Cambonenses.

Curiosidade- segundo Aurélio Buarque, Cambona, significa mudança rápida das velas dos barcos ou do rumo na direção das velas; reviravolta; cambalhota.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

DILÚVIO


As músicas do CD DILÚVIO foram gravadas no AMStudio, entre agosto/01 e abril/02, tendo como instrumentistas músicos alagoanos. Todas as músicas são de autoria de Chico Elpídio em parceria com: Geraldo Rebêlo, Paulo Renault, Edson Bezerra e Feliz Baigon. 

Músicas do CD: Maceió, meu xodó - Cais - Vertente Musical - Me Deixe te Amar - Em Resumo - Angústia de uma Volta - Novo Horizonte - Dilúvio - Onde eu me Encontro - Evolução.

Escreve Roberto Amorim, editor de cultura de O JORNAL, edição do dia13/10/02: 
Maceió continua sendo a maior fonte de inspiração das letras assinadas pelo cantor e compositor Chico Elpídio. A faixa inicial "Maceió, meu xodó", assinada em conjunto com Geraldo Rebêlo, é uma verdadeira lição de amor, louva a natureza e o povo da capital alagoana.
Opinião da jornalista Simone Cavalcante em O JORNAL: 
O universo musical de Chico Elpídio celebra a vida e a arte de amar. Suas músicas têm ritmo contagiante, contudo, sua carreira ainda em plena evolução, " alagando entre nós emoções, atando nossos pés, mãos e corações". Amar também se aprende ouvindo, de preferência, Chico Elpídio.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Maceió, cidade aberta


CÂNTICO POR MACEIÓ

Escreve Luiz Sávio de Almeida em O Jornal (21/09/99)



Vi e ouvi o que poderia ver e ouvir qualquer um em busca do que é bom. Fui ao Teatro de Arena ver o espetáculo com músicas de Chico Elpídio e de Juvenal Lopes, além de poemas de Paulo Renault ditos por Paulo Déo. É um espetáculo extremamente simples e, por isso mesmo, muito bom e profissional. É justamente neste ponto que entra a marca da direção de José Márcio Passos, construindo as articulções entre fala e música, da tal modo que há uma harmonia compassada no desenvolvimento do espetáculo e jamais quebrada. Maceió precisa acabar com os espeáculos voláteis. É preciso que os grupos saibam sustentar suas criações, suas montagens. Maceió, Cidade Aberta é uma montagem que deve permanecer em cartaz por um mínimo de dois anos. As razões são muitas. A primeira delas é que deve fazer público para si mesmo ou, em outras palavras, levar a que seja vista pelo maior número de pessoa; a segunda é que é um trabalho dessa natureza tem que marcar lugar pela sua própria qualidade. Uma outra diz respeito a que a poesia da qualidade da suada por Paulo Renault e da música de Chico Elpídio/Juvenal Lopes tenham função catequética, aproximando cada vez mais a platéia dos sons e da beleza, sustentados pelo talento individual de músicos que dão sentido à terra. Quem sabe se um dia Alagoas salve-se pela beleza?

Festivais alagoanos

De saudosa memória, assim nos recordamos dos festivais que aconteciam nas décadas de 60 e 70. Havia uma acirrada competição entre as Rádios Difusora e Gazeta, no sentido de promover o melhor Festival de Música e para tal, convidava para compor o juri: compositores, maestros e artistas renomados, no sentido de criar uma enorme curiosidade no público e assim superlotar o Teatro Deodoro ou o Ginásio do CRB, onde eram realizados os eventos. Em contra partida, o Diretório Central dos Estudantes - DCE, promovia o disputado Festival Universitário, oferecendo como prêmio a gravação de um LP com as 12(doze) primeiras músicas classificadas. Nessa efervecência musical surgiram personagens bastantes conhecidas: José Geraldo, Marcondes Costa, Guido Uchôa, Tânio Barreto, Josimar, Juvenal Lopes, Jucá Santos, Dydha Lyra, Ricardo Mota, Macléim, Chico Elpídio, César Rodrigues, Edson Bezerra, Eliezer Setton, José Gomes Brandão, Leureny Barbosa, Pedro Batata, Wilma Miranda e tantos outros.
FESTIVAL UNIVERSITÁRIO
Com a música CANTO DO CHÃO, de Chico Elpídio, Edson Bezerra e César Rodrigues, o Grupo Terra tirou o primeiro lugar no III Festival Universitário, promovido pelo DCE.
CANTO DO CHÃO
Terra do sol, liberdade e ouro
Há de haver aqui, vamos desbravar.
Terra de sal, caminhos de gente
Berço de manhãs, muita alegria ainda nascerá aqui.
Sempre é hora de plantar na terra,
O que o fruto traz construir na luta.
A doce labuta de quebrar os muros
Cantar o mesmo canto, beber do mesmo fel.
Nas manhãs banhar o corpo a sol e sal,
Caminhar nas ruas sempre a libertar
O grito escondido, o amor escondido,
Em corações e em gerações.
Trazer no rosto o cansaço no peito as emoções,
De fazermos sempre um gesto forte em cada mão
Seremos raça e força que arrasta multidões
E olha que esse tempo vem,
De uma cor vermelha cor do coração
Seremos um só povo um só mutirão
Teremos terra e trigo sorrisos e canções
E entre palmeira, vilas e ruas,
Nossos corpos cansados irão repousar.
Latinamente ser, brasileiramente amar, amar.
E ouça lá companheiro e amigo, não espera vem,
Já se toca o sino, já se entoam tantos hinos.
Viva a grande pátria, ò doce mãe gentil.
Terra de sol, terra de sal, terra do mar de anil.
Latinamente ser, livremente está, brasileiramente.
Gravado no LP IV Festival Universitário da UFAL em 1989.
FESTIVAL ALAGOANO DA CANÇÃO NORDESTINA
Promovido pela Rádio Gazeta de Alagoas, dirigido pelo radialista Edécio Lopes, o FACN teve como expoente o Júri, que era composto por artistas renomados:
Guio de Morais – maestro; Carmélia Alves – cantora; Luiz Bandeira - compositor; Claudionor Germano - cantor e Aldemar Paiva - compositor. Nesse festival o Grupo Terra classificou quatro músicas:
Chão Quente – Marcondes Costa e Juvenal Lopes;
Festa na Roça – Marcus Antônio de Barros;
Meu Sertão – José Cavalcante e Marcondes Costa;
Desesperança – Eliezer Setton;
FESTIVAL DA CANÇÃO NORDESTINA
Promovido pela Rádio Difusora de Alagoas, sob a direção do jornalista Haroldo Miranda.
Nesse Festival o Grupo Terra conquistou o primeiro lugar com a balada Pássaro de Prata, de autoria de Carlos Moura e Edson Bezerra.
Já a canção PRELÚDIO Nº. 01, de Chico Elpidio, defendida por Dydha Lyra, classificou-se em segundo lugar.
PÁSSARO DE PRATA
Tenho um pássaro de prata numa gaiola de metal
Quero um dia que ele voe por toda a América do Sul
O seu canto é uma balada clamando por super-heróis
Esperando a madrugada já é hora de nascer
Grito por todos os homens de toda a América do Sul
De Tiradentes a Bolívar que de novo vão nascer
Grite eu quero ver toda gente todo o povo se irmanar
Sem sangue com a gloria nas mãos.
Criança, mulheres, homens, senhoras.
Cantigas de roda, canção de ninar.
Fazendo da história um verso
Invertendo o processo e surgir:
O nascer, o viver, o chorar, o correr, o sorrir.
Todos não apenas alguns.
Gravado no LP Grupo Terra em 1980 e no LP Pássaro de Prata da RDA em 1978.
FESTIVAL CANTA NORDESTE - Rede Globo
Linda Lobo editora de Cultura do Jornal Gazeta de Alagoas, sobre o Canta Nordeste
Festival promovido pela Rede Globo, o Canta Nordeste entra definitivamente, no calendário da música brasileira. Pela qualidade e organização, a semifinal do IV Canta Nordeste levou a delírio a platéia que invadiu o Parque do Cocó, na cidade de Fortaleza(CE), na noite do último sábado, dia 19. O espetáculo trouxe de volta o encanto e a magia dos velhos festivais, numa fusão musical do melhor estilo nordestino, como demonstrou Chico Elpídio e Eliezer Setton, com Serra Pau. Para a cobertura da semifinal, que foi ao ar depois da Escolinha do Professor Raimundo, foram utilizadas seis cameras, mesa de efeitos digitais, levando ao ar a mais alta qualidade de imagens. Segundo J. Raposo, diretor de programação da Globo Nordeste, o Canta Nordeste é o maior festival de música do País em participação e audiência. A prova esta aí, mais de seis mil inscritos, uma transmissão ao vivo para toda a região, atingindo 969 municípios do Nordeste. No Canta Nordeste, Chico Elpídio alcançou o primeiro lugar com a música Serra Pau, e dois segundos lugares com Poder é Querer e Limites em parceria com Eliezer Setton e Edson Bezerra, respectivamente.
FESTIVAL DE MÚSICA DO SESC
Assinado por Chico Elpídio e Geraldo Rebêlo, o blues FUGA EM SERENATA foi defendido no Festival do SESC por Wilma Miranda. Sagrando-se uma das vencedoras, foi escolhida para representar Alagoas no Festival de Música Cidade Canção - FEMUSIC, realizado no período de 27 a 31 de maio/98, em Maringá. O blues encontra-se gravado no CD do I Festival do SESC, bem como no de âmbito nacional produzido pelo SESC do Paraná. Em 1999, classificou no II Festival SESC DE MÚSICA, o bolero Ais de Amor em parceria com Eliezer Setton, defendida por Dydha Lyra, já no IV Festival em 2002, classificou o blues Rogando, defendido por Michele Barsand, que recebeu o prêmio de melhor intérprete

Grupo Terra



Beto Batera, Chico Elpídio, Edson Bezerra, messias Gancho,
Jorginho Quintela, Zailton Sarmento, Eliezer Setton, e Cláudio Carlos.
Grupo Terra foi fundado em 1975, sendo composto só por músicos alagoanos. Tinha as suas composições voltadas para o regionalismo e na cultura popular, realizando pesquisas na busca e valorização dos poetas e compositores alagoanos. Apresentou-se pela primeira vez, no altar do Convento de São Francisco, durante o Festival de Verão, realizado em Marechal Deodoro, em seguida, participou de outros Festivais, tendo como destaque, os Universitários de 1989 e 1990 promovidos pela UFAL, os de Verão, os de São Cristóvão, em Sergipe, os das Rádios Gazeta e Difusora de Alagoas. Todas as músicas gravadas e defendidas pelo Grupo Terra tinham como tema: o povo sofrido do campo, as questões políticas, além de chamar à atenção dos Òrgãos Culturais, sobre a necessidade de preservar a nossa história, através da manutenção dos inúmeros prédios e monumentos históricos, que estavam em total abandono.
Em 1978 o Grupo Terra, gravou o 1º LP, lançado em nível nacional pela Warner Bandeirantes do Nordeste. Três músicas desse disco fizeram parte de trilha sonora das novelas: O MEU PÉ DE LARANJA LIMA - Maria Fumaça, de autoria de Chico Elpídio, Paulo Renault e Eliezer Setton, além de Noite Sertaneja de Marcondes Costa; em ROSA BAIANA - Literatura de Cordel, de José Cavalcante e Marcondes Costa, ambas apresentadas pela TV Bandeirantes. Após ser gravado pelo Grupo Terra, o xote Acordo as Quatro de autoria do psiquiatra Marcondes Costa, foi gravado por Luis Gonzaga tornando-se um dos hinos do Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL
Formado em 1975 por uma iniciativa de Chico Elpídio, estudante de Direito à época, líder do Grupo Musical Som Sete, que tinha como sede o Iate Clube Pajuçara. Logo desenvolveu um trabalho voltado para a cultura popular, procurando apoio nas idéias das bases, o que deu ao grupo mais liberdade e segurança em seus temas.
O Grupo Terra em sua formação inicial oito alagoanos, assim discriminados:
Ø Vocais: Edson Bezerra e Eliezer Setton;
Ø Violão e Vocal: Chico Elpídio;
Ø Baixo: Messias Gancho;
Ø Bateria: Cláudio Carlos;
Ø Percussão: Beto Batera;
Ø Flauta Doce: Jorge Quintella Filho;
Ø Viola de 10 cordas: Zailton Sarmento;
Compõem para o Grupo Terra: Chico Elpídio, Edson Bezerra, Eliezer Setton, Marcondes Costa, Laérson Luis, Paulo Renault e Zailton Sarmento. Todas as músicas tocadas pelo grupo, e que foi um dos objetivos, era o apoio ao compositor alagoano, ou seja, todas as músicas são de autoria dos componentes, ou de compositores alagoanos.
SHOWS REALIZADOS
A primeira apresentação do Grupo Terra aconteceu na cidade de Marechal Deodoro, ao pé do altar do convento de São Francisco em 1975, durante a realização do II Festival de Verão, intitulado TERRA À VISTA.
- III Festival de Verão de Marechal Deodoro em 1976.
- Cidade Antiga – Discordava dos órgãos públicos municipais dos demolimentos dos edifícios e casas históricas em Alagoas.
-Canto Novo – Cantava as raízes do povo e o seu sofrimento.
- Rescordação - em homenagem ao artista alagoano Reinaldo Costa
- Gente das Brenhas - o povo das brenhas.
- Som Brasil (TV Globo) - apresentação no Programa do Roland Boldrim.
- Dia do Trabalho (Ginásio do Colégio Estadual;)
- Festival de São Cristóvão (Sergipe)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

PERFIL


Chico Elpídio - sou alagoano de Maceió, iniciei minha carreira musical tocando em bailes noturnos. Em 1978 criei o Grupo Terra e gravei o primeiro LP lançado a nível nacional pela Warner Bandeirantes do Nordeste, três músicas desse disco fizeram parte de trilha sonoras das novelas: O Meu Pé de Laranja Lima (Maria Fumaça e Noite Sertaneja) e Rosa Baiana (Literatura em Cordel), ambas apresentadas pela TV Bandeirantes. 
Tive o prazer de participar de vários festivais de música, dentre eles, o Universitário e o Canta Nordeste. O meu primeiro CD foi gravado em 1996, intitulado Duas Caras, em parceria com Almir Lopes, o segundo em 2002 - Dilúvio, ambos, produção independente. Me deram a alegria de gravar minhas músicas os cantores(as): Almir Lopes, Dydha Lyra, Eliezer Setton, Ely Setton, Nara Cordeiro, Wilma Araújo, Wilma Miranda, Michele Barsand, Boroca, Dulce Miranda, Leureny Barbosa, Telma Soares e o Quarteto Vozes. Atualmente trabalho na produção do terceiro CD - Contemporâneos, ao lado do meu atual parceiro Pablo de Carvalho, esperando em breve apresentar esse trabalho ao púbico alagoano.
Reencanto 

Forjado em dor, o meu coração fez pena
Que desencantou; já se retirou de cena
Sonhou demais, secou e pediu as contas
Não olhou pra trás, seguiu o rumo das sombras
A flor de metal, cravada na mão, não faz mais que sangrar
É tempo de estar perdido pela multidão
Mas me vem uma voz profunda, aguda, ê, cantar outro final
Diz pra eu não ligar pro mundo vazio, serpente sem amor
E me chama de menino. –Menino bom
Franzino. – Eu sou a lei
E filho da ilusão.
Manda retomar meu canto. – Olha pra mim!
Caído. – Olha pro céu!
Aos pés da capital
Buquê lunar, cama de estar, cantiga
Rescaldo de céu na voz da paixão que vazou
Querido amor, desfio essa voz serena
Fingida de dor, fingida de Madalena
Chego a chorar, chego a fazer de tonta
Mas guardo algo mais
No peito, na voz, na alma
Isso desigual, no teu coração
Me faz te acalentar, de leve
A cuidar de nossa acomodação
Vem me abraçar aqui, vê! – Já posso ver
Aqui vê. – Uma mulher
Meu dengo, até que enfim!
Deita pra acordar em meu bem. – Amor, amor
Sorrindo. – Quero chorar
Um choro tão feliz
Vem desmandar, e vem bagunçar meu corpo
Perdido enfim no ventre de quem te encontrou

Chico Elpídio e Pablo de Carvalho