sexta-feira, 11 de julho de 2014

FRAMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO - GRUPO TERRA

RAÍZES, “UM HINO À SUBVERSÃO”
Sexta Parte

De todas as classes artísticas, a dos músicos foi provavelmente, a mais visada e atormentada durante o Regime Militar. Episódios como o da censura sem tréguas às canções de Chico Buarque e os dois exílios de Caetano Veloso e Gilberto Gil, são icônicos no que se refere às perseguições amargadas por artistas brasileiros.
Por aqui, certamente, o fato mais expressivo envolveu o III Festival Universitário de Música e uma composição de Chico Elpídio e Eliezer Setton, então membros do Grupo Terra. 
Raízes virou notícia nacional quando, em 1983, foi o estopim de uma acirrada discussão envolvendo os conselheiros Pompeu de Souza, representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Antônio de Morais, do Conselho federal de Entorpecentes (CONFEN), ambos integrantes do Conselho Superior de Censura (CSC) em Brasília.
A obra de Elpídio e Eliezer foi uma das doze músicas selecionadas no festival, que havia acontecido um ano antes em Alagoas. Todas estavam na pauta daquele 25 de fevereiro, sendo julgadas para a liberação. Juntas, iriam compor o disco produto do festival. A polêmica foi notícia em vários jornais do País, a exemplo do Jornal do Brasil, Folha de são Paulo e A Tarde. “O que chamou a atenção dos jornalistas foi o debate acalorado em torno da música e o fato do Conselheiro da ABI, que estava defendendo a liberação das composições, passar mal e precisar ser socorrido por problemas cardíacos”, lembrou o Eliezer Setton.

“O clima dessa reunião foi bastante tenso a ponto de o representante da ABI. Pompeu de Souza, depois de uma discussão com o Conselheiro Antônio de Morais, do Confem, em torno da música Raízes, de Francisco Elpídio e Eliezer Setton, ter de se retirar para atendimento do serviço médico do Senado”, publicou no dia seguinte à sessão o caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo. “O representante do Conselho Federal de Entorpecentes propôs a interdição da música(...) alegando que ela era um hino a subversão”, publicou o Jornal do Brasil.

Já de acordo com o jornal A Tarde, da Bahia, Morais defendeu a manutenção da censura por acreditar que a canção poderia “incitar a juventude contra o regime. “Ele disse querer que aconteça um novo 1964, que “coisas como essa venham provocar um novo golpe e perturbar a abertura.” Segundo o periódico, Pompeu de Souza não resistiu depois de já ter se emocionado ao defender a liberação de uma música de Sérgio Malandro, Vou fazer ginástica. “O representante da ABI votou pela liberação de Raízes e se retirou.”
Segundo a Ilustrada, Pompeu de Souza antes de sair, “observou que o CSC não poderia vetar uma música como Raízes quando o País todo está cantando livremente a composição de Geraldo Vandré, Pra não dizer que não falei de flores.”
Mesmo após tanta contenda, o curioso é que ainda não seria desta vez que Raízes seria liberada. Naquele dia, “das dez músicas em pauta, apenas canto do chão, A matança do boi e Sem remédio e sem doutor (todas do Festival Universitário de Alagoas) e vem fazer ginástica (Sérgio Malandro) foram liberadas. A mais polêmica, Raízes, teve decisão adiada por pedido de vistas pelo representante dos cineastas Geraldo Sobral,” divulgou A Tarde.

O que os membros do Conselho Superior de Censura (CSC) não sabiam é que, secretamente o diretório central dos estudantes da Universidade Federal de Alagoas (DCE – UFAL), responsável pela execução do III Festival Universitário de Música, já havia conseguido a gravação e prensagens dos LPs no estúdio Rozemblit, em Recife.

“Enquanto aguardávamos a decisão do CSC, com muito jeito, conseguimos convencer a Rozemblit a adiantar a prensagem dos discos com o compromisso de só distribuí-los após a liberação da censura, sob pena de prejudicar a empresa. Com os mil discos nas mãos e temendo a sua apreensão, montamos uma verdadeira operação de guerra para transportá-los para Maceió e escondê-los sob o mais absoluto segredo. De tempos em tempos, por segurança, havia uma mudança de esconderijo, e novamente se organizava sigilosamente o transporte dos discos”, falou Edberto Ticianeli, em seu blog ticianeli.blogspot.com.br.

Segundo ele, na época presidente do DCE-UFAL, esse disco é o único LP produzido no Brasil por uma entidade estudantil.” Apenas o Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE), lançou em 1962, um compacto com quatro músicas.”

(O Jornal I, Maceió 20 de outubro de 2012, sábado.)


Raízes

Entrelaço o passado esquecido
Entre o laço do presente recebido
Só não passo adiante
Os passos que eu caminhei
Escolhi me exilar, num mundo só meu, só
Ora volto, pra rever o chão em que nasci,
Oro e volto, pra encontrar a paz que aqui perdi
Cambaleante oscilante, silente, jamais.
Vou de novo gritar, me encontro outra vez na ação.
Repisando o rastro impostamente escondido
Revivendo os fatos que tornaram-me um banido
Começando tudo de onde parei
Sem temer reprisar, a cena do livre opinar
Volto amplamente
Em geral quase irrestrito
Sem deixar que pelo dito
Fique o não dito
Solidário aos que ainda aqui não estão
Volto sim, voto não.
Não sei a quem cabe o perdão.

Como marca deste evento, foi gravado um LP, produzido pelo DCE-UFAL, ficando na memória de todos, que viveram aquele momento único em Alagoas:

Direção de Paulo Pedrosa;
Direção Artística - José Gomes Brandão;
Assistente de Direção – Paulo Pedrosa;
Técnico de Gravação – Jailson Romão;
Mixagem - José G Brandão, Chico Elpídio e Jailson Romão;
Desenho e Arte da Capa – Ênio Lins.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O BRASIL TEM OS CARROS MAIS CAROS DO MUNDO!

ANALISE E COMPARE:

Corolla da Toyota - 2015
Brasil: R$ R$ 79.9970, 00
EUA: R$ 37.800,00 (U$ 16,800)

Honda Civic - 2014
Brasil: R$ 74.490,00
México R$ 45.540,00
EUA: R$ 41.260,00 (U$ 18.390)

Elantra da Hyundai- 2014
Brasil: R$ 85.200,00
EUA: R$ 40.910,00 (U$ 17.200)

Cruze da Chevrolet - 2014
Brasil: R$ 72.090,00
Chile: R$ 41.200,00
EUA: R$ 39.310,00 (U$ 17.520)

Ford Focus – 2014
Brasil: R$ 61.590,00
EUA: R$ 37.720,00 (U$ 16,810)

Camaro da Chevrolet - 2014
Brasil: R$ 221.990,00
Chile: R$ 108.000,00
EUA: R$ 52.850,00 (U$ 23.555)

PREÇOS ATUALIZADOS EM 14/04/2014
Dados obtidos pelo próprio site das montadoras, links no final do texto.
BRASIL TEM O CARRO MAIS CARO DO MUNDO: http://carros.uol.com.br/album/lucro_brasil_album_album.htm

O PROBLEMA NÃO SÃO SÓ OS IMPOSTOS: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,carro-no-brasil-seria-mais-caro-mesmo-sem-imposto,85197,0.htm

E o absurdo maior acontece com o carro nacional Gol. Fabricado aqui no Brasil com o custo de fabricação de R$ 9.800,00, ele custa para nós brasileiros R$ 39.900,00. Exportamos nosso Gol 1.6 para a Argentina e lá é vendido por R$ 28.426,00. E no México por R$ 27.629,00. Com todo dinheiro que pagamos o Brasil é o país responsável pelo Maior Lucro das Montadoras de Automóveis no mundo: Toyota, Volkswagen, Ford, Chevrolet, Hyndai, Honda, Fiat, etc. De acordo com o próprio site da Volkswagen (link no final do texto).
Preço convertido para nossa moeda.
E NÃO É SÓ ISSO...
Além disso...ainda

- Somos o único país do mundo que ainda fabrica carros com motor 1.0.
- Somos o único país do mundo que fabrica carros sem direção hidráulica.
- Somos o único país tropical do mundo que fabrica carros sem Ar Condicionado.
- Somos o único país do mundo que ainda tem como padrão o câmbio manual (afinal, conforto de câmbio automático é coisa de rico...pelo amor, quanta ignorância).

SOMOS O ÚNICO PAÍS DO MUNDO CUJOS COMPRADORES DE CARROS NOVOS SE CONTENTAM COM VERDADEIRAS CARROÇAS, SEM OPCIONAIS BÁSICOS.

Mas a pergunta que fica é “POR QUE AS MONTADORAS SOBEM O PREÇO DOS CARROS AQUI NO BRASIL?”
A resposta é bem simples: “PORQUE NÓS COMPRAMOS!!!”

Muitas pessoas pensam que é por causa dos impostos e cargas tributárias.
Sim, em parte é verdade. Mas a maior parte da diferença é culpa das montadoras que aumentam o preço aqui no país para obter maior lucro. O chamado LUCRO BRASIL.

MAS AGORA É SUA CHANCE DE MUDAR ESSA SITUAÇÃO. PARTICIPE DA CAMPANHA “NÃO COMPRE CARRO 0 KM EM 2014”.
COMPARTILHE, CHEGA DE SERMOS EXPLORADOS!!!
Fontes:

CHEVROLET: http://www.chevrolet.com.br/carros/camaro.html (Brasil)
CHEVROLET: http://www.chevrolet.cl/ (Chile)
CHEVROLET: http://www.chevrolet.com/camaro-performance-cars.html (USA)
ESTADÃO: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,carro-no-brasil-seria-mais-caro-mesmo-sem-imposto,85197,0.htm
FOLHA: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1200992-tendenciasdebates-o-lucro-brasil-das-montadoras.shtml
HONDA: http://www.honda.mx/honda-city/ (México)
HONDA: http://www.honda-automoviles.com.ar/autos/civic2013#precios (Argentina)
HONDA: http://automobiles.honda.com/civic-sedan/ (USA)
UOL: http://carros.uol.com.br/album/lucro_brasil_album_album.htm
TOYOTA: http://www.toyota.com.br/cars/new_cars/catalogo.aspx (Brasil)
TOYOTA: http://www.toyota.com/ (USA)
VOLKSWAGEN Argentina: http://www.volkswagen.com.ar/es/compras-y-financiacion0/precios-vigentes.html
VOLKSWAGEN Brasil: http://ofertas.vw.com.br/sao-paulo-SP
VOLKSWAGEN México: http://www.promocionesvw.mx/
WEBMOTORS: http://revista.webmotors.com.br/mercado/custo-b[cortado pelo WhatsApp]

sexta-feira, 4 de julho de 2014

FRAGMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO -

 GRUPO TERRA
 OS FESTIVAIS DE MÚSICA - Quinta Parte

4. IV Festival de Universitário de Música (DCE – UFAL)

Neste festival, o GrupoTerra defendeu três músicas:
Poder é Querer - Chico Elpídio e Eliezer Setton;
Vielas - Laérson Luís e Chico Elpídio;
Paga Ladrão - Eliezer Setton.

A vencedora deste festival foi a canção “América, uma Canção de Irmãos”, de Edson Bezerra e César Rodrigues;
O segundo lugar, empatados: Pega Ladrão de Eliezer Setton e De Pedra e Pomar de Maria das Graças Monteiro Lins Barbosa (GAL) e Emídio Magalhães;
O terceiro lugar, Poder é Querer, de Chico Elpídio e Eliezer Setton.
A imprensa divulgava e valorizava os Festivais.

 Em 1993, com o surgimento do Canta Nordeste, a música Poder é Querer, foi defendida por Chico Elpídio sendo classificada em segundo lugar, o que possibilitou disputar a finalíssima do festival em Recife representando Alagoas.



Poder é querer

Sem desfazer do que me dizem os ditos memoráveis
De que me vem em mente a mesa posta a dois
Do que me leva a crer no agora sem depois
Sem duvidar do sentimento alheio a vontade
Vontade é grande de sentir e realiza
Milhões de coisas que ficaram por fazer
Edson Bezerra e César Rodrigues em América, Uma Canção de irmãos.
Em segundo plano Paulo Poeta.
Espaço e tempo eu vi passar
Sem contestar sem reagi
De cara em frente ao dedo em riste
Vencido sem lutar sem força sem poder
Agora é tempo de gritar
Agora é tempo de vencer, agora é a vez de decidir
O agora é agora
E o amanhã não tem o que temer
Se morre em pé a vela acesa
Porque é que devo eu me arrastar para viver
Sim vou mudar
De pensamento ideia e vontade
Vou encarar de frente a realidade
Recuperar o tempo todo que eu perdi
Fazer valer de uma vez por todas a verdade
Pra ver se existe um direito de igualdade
Que faça o homem igual ao homem do poder

5. Canta Nordeste

Em 1994, Grupo Terra participa pela primeira vez do Canta Nordeste, festival de música patrocinado pela Rede Globo, aberto a compositores nordestinos.
 A música Serra Pau, composta por Chico Elpídio e Eliezer Setton, sagrou-se campeã da fase alagoana, ganhando o direito de participar da segunda fase em Fortaleza, sendo também classificada para a final em Recife. 
Desse Festival, a Rede Globo lançou o CD CANTA NORDESTE, com as doze músicas classificadas, Serra Pau classificou-se em quinto lugar.

Serra Pau

Velho facão de ponta, ponta em brasa o fole sopra
Queima fere cicatriza, a ferida vai sarar
Gaiola em punho e o chuço, alçapão e emboscada
Ave em tempo de arribada entre as talas vai ficar
E um chapéu de couro, abas largas estrelado
No seu tempo de reinado pertenceu ao capitão – capitão
Caipora, capivara, bicho corre meia noite
Embalado pelo açoite, brisa leve é vendaval
Clarão do dia assusta, salta fora o maribondo
Quem lhe fez na casa um rombo, um calombo vai ganhar,
Transcorre a tarde e o alarde
De fumaça não viu fogo, quebra a banca vira o jogo
No cassino ao fim do sol...
Serra pau, serrador, serra cada qual madeira pro seu senhor
Serra cada qual
Quem quiser brincar de gente, tem que ser mais que doutor
Tem que ser mais que indigente, criatura e criador
Tem que ser indiferente, resistente, sonhador
Tem que ser mais que demente, pra que ature tanta dor
Serra pau, serrador, cada qual é o senhor.
Na igreja o padre reza, sacristão lhe toma o vinho
Os pecados do caminho, penitências vão pagar
Rosário conta a conta, padre nosso Ave Maria
Credo em cruz pra heresia, mês de maio é de oração
E num terreiro ao lado, pai de santo é pai de gente
Cada crença com seu crente, cada deus com seu altar.