terça-feira, 28 de agosto de 2012

Para um certo anônimo.

Li, estarrecido, há alguns dias, depois de postadas no blog do Chico Elpídio, aleivosias escritas por um anônimo a meu respeito e minhas filhas. 
Diz o canalha anônimo que falo grosso, numa evidente e equivocada intenção de me atribuir um ânimo truculento. Ledo engano. Quem me conhece de perto e desfruta de minha intimidade, sabe que o meu temperamento é ameno, cordato. O que eu não sou é covarde. Luto em qualquer arena em que for desafiado, mas, diferentemente de você, canalha, encaro o embate em pé, de frente para o desafeto, feito um gorila, ao invés de rastejar, atacando à traição, feito uma serpente. 
No que diz respeito às minhas filhas, deixe-as de fora. Desafio-lhe a provar que o nome de qualquer uma delas (são quatro) apareceu na relação da famigerada folha 108 da Assembleia Legislativa de Alagoas. 
Para que você, canalha, morra de inveja, quero lhe dizer que todas, sem exceção, estão desempenhando suas funções em estágios remunerados. E sabe por quê? Porque foram aprovadas nas provas de seleção para os respectivos provimentos. E tem mais. Todas, absolutamente todas elas, lograram êxito no vestibular para o curso de direito, na Ufal. 
É, ou não é, motivo de orgulho para um pai de família? 
E você, o que tem a me dizer a esse respeito? 
Aliás, aconselho-o a tomar posse de uma gramática e aprender as regras básicas da língua culta. Cá prá nós, tu escreves ruim pra burro! 

Jairo Affonso de Mello Marques Luz 




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Causos - Histórias - Estórias e Anedotas

O Sertão sempre foi assolado por coronéis. 
Homens ricos, geralmente fazendeiros, e muito influentes, que acabavam por incursionar também no meio político. E Ôlho d’Água das Flôres não escapou de ser dominada por esses caudilhos, assim como toda a região sertaneja e, por algum tempo, todo o estado de Alagoas também. 
O último deles, com todas as características por todos conhecidas, que eram peculiares aos coronéis, foi Elísio da Silva Maia, de Pão de Açúcar, mais conhecido pelo povo como “Seu” Elísio. 
Dominou a política de cidades como Pão de Açúcar, Palestina, Monteirópolis e Olho D’Água das Flôres, por exemplo. Em certo momento, tinha muita influência também no Palácio Floriano Peixoto. 
Conta-se dele, principalmente depois que morreu, muitos “causos”, histórias, estórias, anedotas, ficando muito difícil saber se algumas foram, realmente, verídicas ou não. 
Algumas são muito engraçadas. 
Conta-se que, certa vez, agendara Elísio Maia uma viagem a Juazeiro do Norte, o Juazeiro do Padrinho Padre Cícero de quase todos os sertanejos. Uma mulher, que era esposa de um seu empregado, sabendo da tal viagem, no dia da partida, à beira do carro, se dirigiu ao coronel: 
¬Seu Elísio, eu queria pedir um negoço ao sinhô... 
¬Diga o que é, respondeu o coronel. 
¬Eu queria que o sinhô trouxesse prá mim uma imagem de Nosso Sinhô... 
¬Tá certo, eu trago... 
Virou-se o coronel para o motorista, e disse-lhe que se encarregasse da encomenda. 
Já no Juazeiro, ao passar por uma das muitas lojas de artigos religiosos, o motorista lembrou ao coronel da promessa feita àquela mulher, tão temente a Deus. 
O coronel, incontinenti, ordenou que o motorista descesse do carro e efetuasse a compra da tal imagem. 
O motorista desceu e, logo em seguida, voltou, perguntando ao coronel: 
¬”Seu” Elísio, o sinhô se lembra se a mulé falou se era uma imagem do Sinhô Morto, ou do Sinhô Vivo? 
O coronel “assuntou” um momento, e de chofre respondeu: 
¬Meu filho, compre uma do Senhor Vivo, porque se não for essa que ela quer, agente mata...

O autor do causo -
Émerson Leandro Rebelo Gonçalves, alagoano natural de Olho D'Água das Flores, é funcionário da ADEAL, onde exerce o cargo de Engenheiro Agrônomo.