domingo, 24 de agosto de 2014

HISTÓRIAS DO GRUPO TERRA DIFERENTES PALCOS

NONA PARTE
FESTIVAL DE CINEMA DE PENEDO

Contratados pela EMATUR, empresa privada, terceirizada pelo Governo o Estado para produzir o Festival de Cinema de Penedo, o Grupo Terra em data pré-agendada foi contratado para fazer o show de encerramento do referido Festival.
Estavam participando neste ano artista renomados, entre eles, os alagoanos: Jofre Soares, Renée de Vielmont e José Wilker. No dia e hora acordado, estava o GRUPO TERRA no Palco do Cine São Francisco, iniciando o show de encerramento.
O repertório foi preparado especialmente para o evento; até determinado momento sentíamos ser do agrado de todos, conforme a quantidade de palmas que ouvíamos. Após a sétima música, a iluminação era quase apagada e iniciava-se a percussão reproduzindo o som de uma onda morrendo na areia do mar; a seguir, o violão com a introdução e o início da música.

Silêncio total, à música da vez – PREÇE, o primeiro verso:
Chico Elpídio e Teógenes Rocha

“Manhã já vem chegando
O sol se espreguiçando
O dia mal começa andar
Se sopra e o vento é forte
Forte é também seu santo
Nada vai lhe acontecer

Vai jangadeiro vai pro seu mundo
Sol, nuvens, horizonte e um mar profundo a seus pés

No transcurso de uma viagem
Muito sol muita coragem
Num regresso não sei quando e pra que?
Horas que vão decorrendo
E a miséria mal dizendo
Quanta gente espera urgente
Esse sobreviver

Vai jangadeiro vai pro seu mundo...

Nesse momento no silêncio que se fazia, ouve-se lá nas últimas cadeiras:

“Cala boca macaco!”
O silêncio durou pouco, surgiram os primeiros risos, depois ninguém mais conseguia parar de sorrir e nem o Terra conseguia recomeçar a tocar, foi surreal. Olhei para o Zailton Sarmento, que tacava viola ao meu lado, querendo rir também, mais não podia, então e fiz sinal para nos levantarmos e sairmos do palco, logo a seguir nos acompanharam os demais componentes. Não houve mais clima, mesmo com as insistentes cobranças dos diretores da EMATUR, que ameaçavam não efetuar o pagamento firmado em contrato, o fato é que, não retornamos, pois não havia clima e levávamos muito a sério nosso trabalho.
Voltamos à Maceió.
GRUPO TERRA - Festival de Verão em Mal. Deodoro.
Em pé, Marcus Vagareza, ao lado com violão, Chico Elpídio






domingo, 17 de agosto de 2014

HISTÓRIAS DO GRUPO TERRA - OITAVA PARTE

OS ILUSTRES COMPOSITORES

Um pequeno número de compositores cuidadosamente escolhidos compunha para o Grupo Terra:  Paulo Renault Braga Villas Boas, Marcondes Costa, Laérson Luiz, Marcus Antônio (Vagareza) Edson Bezerra, César Rodrigues e Eliezer Setton.
Tive a oportunidade de fazer parcerias com quase todos, a exceção foi Marcus Vagareza.
Com Marcondes Costa, um grande amigo, tinha uma visão peculiar pelo nordeste e devido a essa paixão, sempre trazia temas cuidadosamente produzidos para serem musicados: Meu Nordeste, Os grandes do Baião, Morada Sertaneja, etc.
Edson Bezerra, meu parceiro irmão, com quem tive a oportunidade de compor não só para o Grupo Terra, entretanto, foram inesquecíveis nossas composições: Mundau, Canto do Chão, Limites, Luana e outras;
Paulo Renault, pra mim, inesquecível, grande amigo de uma inteligência rara, com ele compus: E agora cante cantador, Maia Fumaça, Evolução, etc.

Com César Rodrigues, apenas Canto do Chão, infelizmente.

Eliezer Setton, foi convidado para participar do grupo, no lugar do Marcus Vagareza, que estava tendo dificuldades com as cordas vocais e solicitou o seu afastamento por ter decidido ir tentar a vida musical em São Paulo, onde atualmente reside. 
Através amigo Hélvio Villas Boas, irmão do Paulo Renault, conheci Setton e fui logo surpreendido com sua narrativa, ao dizer que tinha assistido a um dos shows do Terra e tinha ficado encantado, sendo seu sonho fazer parte daquele grupo. 
No nosso primeiro encontro me apresentou uma música de sua autoria, DESESPERANÇA, bem no nosso estilo, percebi ao cantarmos, que nossas vozes combinavam, como se não bastasse, ele também compunha, juntando o útil ao agradável, assim sendo, naquele momento o convidei para compor o grupo.
Nossa primeira parceria ocorreu como um teste de fogo. Eu tinha entregue ao Paulo Renault uma música, cujo tema escolhido eram os trens de ferro, que circulavam sertão a dentro, tendo como título, Maria Fumaça, entretanto, já faziam mais de seis meses que a música estava em seu poder e só a primeira parte estava concluída, impaciente, conversei com Paulo e entreguei ao Eliezer para que ele concluísse a parceria.
Na outra semana a letra me foi entregue.
Compomos exclusivamente para o Grupo Terra 06 (seis) músicas: Raízes, Poder é Querer, Serra Pau, Mote e Vida Peregrina, Morada Sertaneja, Maria Fumaça além e outras ainda inéditas.
Chico Elpídio e Eliezer Setton e um show no Teatro do SESI.




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

HISTÓRIAS DO GRUPO TERRA - SÉTIMA PARTE

DIFERENTES PALCOS


Edson Bezerra, Jorge Quintella, Chico Elpídio, Zailton Sarmento, Eliezer Setton,
Messias Gancho e Beto Batera. Ginásio do Estadual, dia do estudante.

O cenário artístico cultural alagoano da época, refletia a conjuntura artístico-cultural da cidade: falta de recursos financeiros e espaços, e, somando-se a isso, a também tradicional falta de um público consumidor. Nesse contexto, fazer música era algo extremamente difícil. A produção cultural do Terra, ficava por conta dos próprios componentes: Chico Elpídio, Edson Bezerra, Paulo Renault e posteriormente, Eliezer Setton, compunham, realizavam contatos com a imprensa, alugavam equipamentos de som, transporte, cada um com sua responsabilidade, e mais, ao final de cada show, os próprios músicos desarmavam e desmontavam e transportavam todo o equipamento.

Palavras de Edson Bezerra:
“Ah, hoje está uma maravilha. O pessoal tem uma produção encarregada com o aluguel de som, de realizar contatos com a imprensa, arrumar patrocinadores e até mesmo serviço de palco.”
Em outro momento:
“Tinha vez que a gente não tinha nem vontade de comemorar uma bela apresentação. Quando acabava a gente estava cansado e tinha de arrumar e carregar tudo.”
Sendo uma característica do Grupo, a participação nos movimentos populares, que naqueles anos de abertura política se colocava em oposição à ditadura, durante os anos de existência, o grupo participou de dezenas de shows promovidos pelos movimentos que estravam se estruturando aquela época e eram shows realizados em cima de carrocerias de caminhões e em ginásios esportivos.

No dia primeiro de maio de 1982, o Terra realizou uma dessa apresentações. 
Por convite da Casa do Palácio do Trabalhador, situada no Mercado Público, em cima da carroceria de caminhão, quando foi pela primeira vez executada a música RAÍZES, em homenagem ao exilado político Nilson Miranda, que tinha retornando a Alagoas após longo exilio.



NOVIDADES CONHECIDAS - LARA MELO