Pular para o conteúdo principal

Causos - Histórias - Estórias e Anedotas

O Sertão sempre foi assolado por coronéis. 
Homens ricos, geralmente fazendeiros, e muito influentes, que acabavam por incursionar também no meio político. E Ôlho d’Água das Flôres não escapou de ser dominada por esses caudilhos, assim como toda a região sertaneja e, por algum tempo, todo o estado de Alagoas também. 
O último deles, com todas as características por todos conhecidas, que eram peculiares aos coronéis, foi Elísio da Silva Maia, de Pão de Açúcar, mais conhecido pelo povo como “Seu” Elísio. 
Dominou a política de cidades como Pão de Açúcar, Palestina, Monteirópolis e Olho D’Água das Flôres, por exemplo. Em certo momento, tinha muita influência também no Palácio Floriano Peixoto. 
Conta-se dele, principalmente depois que morreu, muitos “causos”, histórias, estórias, anedotas, ficando muito difícil saber se algumas foram, realmente, verídicas ou não. 
Algumas são muito engraçadas. 
Conta-se que, certa vez, agendara Elísio Maia uma viagem a Juazeiro do Norte, o Juazeiro do Padrinho Padre Cícero de quase todos os sertanejos. Uma mulher, que era esposa de um seu empregado, sabendo da tal viagem, no dia da partida, à beira do carro, se dirigiu ao coronel: 
¬Seu Elísio, eu queria pedir um negoço ao sinhô... 
¬Diga o que é, respondeu o coronel. 
¬Eu queria que o sinhô trouxesse prá mim uma imagem de Nosso Sinhô... 
¬Tá certo, eu trago... 
Virou-se o coronel para o motorista, e disse-lhe que se encarregasse da encomenda. 
Já no Juazeiro, ao passar por uma das muitas lojas de artigos religiosos, o motorista lembrou ao coronel da promessa feita àquela mulher, tão temente a Deus. 
O coronel, incontinenti, ordenou que o motorista descesse do carro e efetuasse a compra da tal imagem. 
O motorista desceu e, logo em seguida, voltou, perguntando ao coronel: 
¬”Seu” Elísio, o sinhô se lembra se a mulé falou se era uma imagem do Sinhô Morto, ou do Sinhô Vivo? 
O coronel “assuntou” um momento, e de chofre respondeu: 
¬Meu filho, compre uma do Senhor Vivo, porque se não for essa que ela quer, agente mata...

O autor do causo -
Émerson Leandro Rebelo Gonçalves, alagoano natural de Olho D'Água das Flores, é funcionário da ADEAL, onde exerce o cargo de Engenheiro Agrônomo. 

Comentários

Chico Elpídio disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Chico Elpídio disse…
Recebi de meu amigo e parceiro Geraldo Érico, um conto de seu sobrinho que reside em Olho D´Água das Flores,interior de Alagoas. Diante dos personagens citados pelo contista, bastante conhecidos no meio político, achei interessante publicá-los. Este é o primeiro de muitos que virão.
Chico Elpídio disse…
Este comentário foi removido pelo autor.

Postagens mais visitadas deste blog

FRAMENTOS DA MEMÓRIA DE UM TEMPO - GRUPO TERRA

RAÍZES, “UM HINO À SUBVERSÃO” Sexta Parte

De todas as classes artísticas, a dos músicos foi provavelmente, a mais visada e atormentada durante o Regime Militar. Episódios como o da censura sem tréguas às canções de Chico Buarque e os dois exílios de Caetano Veloso e Gilberto Gil, são icônicos no que se refere às perseguições amargadas por artistas brasileiros. Por aqui, certamente, o fato mais expressivo envolveu o III Festival Universitário de Música e uma composição de Chico Elpídio e Eliezer Setton, então membros do Grupo Terra.  Raízes virou notícia nacional quando, em 1983, foi o estopim de uma acirrada discussão envolvendo os conselheiros Pompeu de Souza, representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Antônio de Morais, do Conselho federal de Entorpecentes (CONFEN), ambos integrantes do Conselho Superior de Censura (CSC) em Brasília. A obra de Elpídio e Eliezer foi uma das doze músicas selecionadas no festival, que havia acontecido um ano antes em Alagoas. Todas est…

ÊLES FAZEM A FAMÍLIA CAMBONENSE

O Cambona sempre foi fértil em oferecer não só para Alagoas, profissionais da mais alta estirpe. Quem não se lembra dos professores Cajueiro e Granjeiro, pioneiros na formação de cursinhos para o ensino da Lingua Portuguesa; Antônio Paurilho, pianista e compositor, autor da música "Ansiedade"; Marcelo Santos, Agulhas Negras; Aldo Flores, Procurador do Estado; Dilmar Camerino, Ministério Público Estadual; Haroldo Miranda, ícone da radiofonia alagoana; Sabino Romariz, radialista e Deputado Estadual; Cleto Marques Luz, Consultor Jurídico da Assembléia Legislativa e eterno Presidente da Federação Alagoana de Futebol; os comtemporâneos: Edson Bezerra e Cícero Péricles, doutores em Sociologia e Economia, respectivamente; Alder Flores, Advogado Ambientalista; Josenal Fragoso, Procurador da Ceal; Cláudio Lima de Souza, Delegado da Polícia Federal, como se vê, personagens que só engrandecem e honram nosso bairro. Ainda são remanescentes no Cambona: Guiomar de Gouveia Bezerra, Norma …