quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Maceió, cidade aberta


CÂNTICO POR MACEIÓ

Escreve Luiz Sávio de Almeida em O Jornal (21/09/99)



Vi e ouvi o que poderia ver e ouvir qualquer um em busca do que é bom. Fui ao Teatro de Arena ver o espetáculo com músicas de Chico Elpídio e de Juvenal Lopes, além de poemas de Paulo Renault ditos por Paulo Déo. É um espetáculo extremamente simples e, por isso mesmo, muito bom e profissional. É justamente neste ponto que entra a marca da direção de José Márcio Passos, construindo as articulções entre fala e música, da tal modo que há uma harmonia compassada no desenvolvimento do espetáculo e jamais quebrada. Maceió precisa acabar com os espeáculos voláteis. É preciso que os grupos saibam sustentar suas criações, suas montagens. Maceió, Cidade Aberta é uma montagem que deve permanecer em cartaz por um mínimo de dois anos. As razões são muitas. A primeira delas é que deve fazer público para si mesmo ou, em outras palavras, levar a que seja vista pelo maior número de pessoa; a segunda é que é um trabalho dessa natureza tem que marcar lugar pela sua própria qualidade. Uma outra diz respeito a que a poesia da qualidade da suada por Paulo Renault e da música de Chico Elpídio/Juvenal Lopes tenham função catequética, aproximando cada vez mais a platéia dos sons e da beleza, sustentados pelo talento individual de músicos que dão sentido à terra. Quem sabe se um dia Alagoas salve-se pela beleza?

2 comentários:

Edson Bezerra disse...

e diga-se de passagem, um show antológico......

rafael disse...

Assisti ao show. Um show que envolvia poesia e música de qualidade. Infelizmente um show como esse precisa ser visto por um maior numero de pessoas que gostem de um espetáculo que envolve poesia e música. Concordo que deveia ter durado no mínimo uns dois anos em cartaz, no entanto estamos em "Maceió" lugar onde a realidade é evidente: seu povo não sabe dar valor para o que é da terra infelizmente. Os tempos mudarão um dia!